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Vendida ao Sheik romance Capítulo 83

Narrado por Khaled

Quando entrei em casa naquela manhã e não a vi na varanda, algo dentro de mim estralou.

Um pressentimento. Frio. Preciso.

Chamei um dos seguranças com o olhar. Ele veio correndo.

— Onde está minha esposa?

— No quarto, senhor. — respondeu, hesitante.

Mentira.

Fui até lá.

A cama estava intacta. Lençóis esticados. Nenhum perfume no ar.

Abri o armário.

A abaya simples, o lenço branco. Sumidos.

Meu coração, treinado para guerra, não acelerou.

Ele congelou.

Abri a gaveta das joias. Um par de brincos de ouro e uma corrente sumiram.

No canto inferior, onde ela guardava os passaportes que eu mesmo devolvi para que ela se sentisse “livre”… vazio.

Sentei na beira da cama.

Fechei os olhos.

Deixei queimar por dentro.

Ela fugiu.

Ela fugiu.

Me levantei, arrumei as mangas da túnica e saí do quarto.

Chamei Youssef. Meu cão mais leal.

— Ative a rede. Câmeras, rotas de fuga, satélites de trânsito. Me encontre cada trajeto possível saindo dessa casa entre 5h e 6h da manhã.

— Sim, senhor.

— Verifique a lavanderia. Se o RFID da porta foi ativado.

— Agora?

— Agora.

Ele sumiu.

Caminhei até a cozinha. Os empregados pararam o que faziam.

— Onde está Amal?

Ninguém respondeu.

— EU DISSE: ONDE ESTÁ AMAL?

Uma das empregadas começou a tremer.

— N-não está, senhor... Ela pediu para sair cedo hoje… disse que não estava bem.

— Ela estava ótima ontem.

Ninguém respondeu.

Sorri.

Gelado.

— Amar é bom. Ser bondoso também. Mas deixar minha esposa fugir? Isso é traição.

Fui até a parede, puxei o tablet de segurança embutido. Entrei na interface das câmeras internas.

— Lavanderia. Quarta câmera. Quatro e quarenta da manhã.

Lá estava ela.

Rosto coberto. Passos leves. A porta abrindo devagar.

Eu assisti em silêncio.

Youssef voltou.

— Ela saiu a pé. Entrou em um carro clandestino a três quarteirões. O motorista é um velho contrabandista da fronteira. O carro foi rastreado até a Rodovia E77. Depois disso, sumiu no trânsito. Trocaram de veículo. Sabemos que ela pegou um táxi particular depois disso. Estamos tentando cruzar os dados com as placas da área.

— Faça isso. E contate Zaid. Quero drones no céu em duas horas.

— Sim, senhor.

— Ah… e prenda Amal. Tragam-na viva. Quero os nomes. Todos os envolvidos. Ela só saiu porque alguém da casa deixou.

— Entendido.

Fiquei sozinho na biblioteca.

Passei a mão sobre a madeira escura da escrivaninha.

Eu tinha lhe dado tudo.

Tinha aberto mão de outras mulheres. Tinha devolvido liberdade limitada. Tinha colocado joias aos pés dela, servido banquetes e dado meu sobrenome.

E ela fugiu.

Ingrata.

Mas pior que ingratidão…

Escuro.

Lento.

— E quando tentar…

eu estarei lá.

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Três dias depois, Youssef me entregou as imagens.

Lara.

De jeans simples e lenço branco.

Tentando trocar joias por dinheiro com um libanês.

Conseguimos o endereço.

Zaid me olhou.

— Vai trazê-la de volta, senhor?

— Não.

— Vai… matá-la?

— Não.

Ainda não.

— Então… o que vai fazer?

Me aproximei da janela.

— Vou lembrar quem ela é.

E a quem pertence.

E se ela esquecer de novo…

Não vai ser a morte o castigo.

Vai ser a vida ao meu lado.

Para sempre.

Sem nunca poder escapar.

Porque eu sou Khaled Rashid.

E nada que é meu…

me escapa impunemente.

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