Narrado por Lara
Eu voltei ao quarto principal como quem volta a um campo de guerra.
Os lençóis estavam limpos. As cortinas abertas. As flores frescas no vaso.
Mas o ar...
Estava podre.
Não de cheiro.
De memória.
A memória do toque dele.
Dos olhos que me queimavam mais do que as mãos.
Dos sussurros que pareciam promessas, mas eram só ordens disfarçadas de afeto.
Entrei como uma sombra.
Dei três passos.
Fechei a porta atrás de mim.
Era ali que eu ia viver.
De novo.
Até ele permitir o contrário.
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Os dias passaram lentos.
Khaled voltava tarde.
Falava pouco.
Observava muito.
Dormia ao meu lado.
Às vezes me tocava.
Às vezes só me encarava no escuro, como se quisesse ter certeza de que eu ainda estava ali.
Eu estava.
Mas não inteira.
Uma parte de mim ainda corria.
Uma parte…
morria.
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Foi no décimo dia que tudo mudou.
Eu acordei enjoada.
Com o estômago virado.
O gosto metálico na boca.
Corri para o banheiro.
Vomitei o que nem lembrava de ter comido.
Primeiro achei que fosse o estresse.
A tensão.
Mas no dia seguinte, aconteceu de novo.
E no outro também.
Depois veio a tontura.
O atraso.
Meu corpo… começou a avisar.
Avisar algo que eu não queria ouvir.
Que eu não queria aceitar.
Eu sentei no chão do banheiro, as mãos tremendo.
Não.
Não agora.
Não dele.
Não assim.
Me recusei a acreditar.
Mas meu corpo não mentia.
Ele já não era só meu.
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