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Vendida ao Sheik romance Capítulo 89

Narrado por Lara

A dor não fazia barulho.

Ela só ficava ali, encostada no peito, como um animal ferido respirando baixo, à espera do golpe final.

Depois que Khaled confessou o que fez com minhas irmãs — com aquela frieza calculada que já me fez tremer antes — eu simplesmente… desliguei.

Voltei para o quarto.

Sentei na cama.

O mundo era silêncio.

O tipo de silêncio que pesa.

As horas passaram, e o dia virou noite sem que eu notasse.

Foi quando ouvi a porta abrir.

Sem pressa.

Sem arrogância.

Era ele.

Khaled.

Sem terno. Sem armas visíveis.

Só uma camisa branca dobrada nos antebraços, o peito parcialmente à mostra, e um olhar que me confundia.

Ele parecia cansado.

Ou fingia bem demais.

Me olhou por longos segundos, parado na entrada. Depois entrou, devagar, como se temesse assustar.

— Posso?

Não respondi.

Mas não o expulsei.

Isso foi o suficiente.

Ele se aproximou.

Se ajoelhou diante de mim.

E quando pegou minha mão com calma, como se ela fosse feita de vidro, eu só fiquei ali, olhando aquele homem que um dia achei que poderia salvar — e que agora era o responsável por tudo que me dilacerava.

— Eu sei que você me odeia agora. — ele disse, e a voz saiu mais baixa do que eu esperava. — Mas eu preciso que a gente volte a se entender.

— Você acha mesmo que o que existe entre a gente pode ser chamado de mal-entendido?

Ele não recuou.

Não se justificou.

Mas quando ele me puxou devagar para seu peito, e sua mão começou a acariciar meus cabelos em silêncio…

Eu permiti.

Porque naquele instante, não era Khaled o monstro.

Era só um homem.

E eu?

Eu era só uma mulher cansada demais para resistir.

---

— Amanhã. — ele disse antes de adormecer. — Amanhã a gente começa diferente. Mais devagar. Mais certo.

— Você promete?

Ele sorriu.

Mas não respondeu.

Porque promessas…

no mundo de Khaled…

são sempre silenciosas.

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