Narrado por Lara
A dor não fazia barulho.
Ela só ficava ali, encostada no peito, como um animal ferido respirando baixo, à espera do golpe final.
Depois que Khaled confessou o que fez com minhas irmãs — com aquela frieza calculada que já me fez tremer antes — eu simplesmente… desliguei.
Voltei para o quarto.
Sentei na cama.
O mundo era silêncio.
O tipo de silêncio que pesa.
As horas passaram, e o dia virou noite sem que eu notasse.
Foi quando ouvi a porta abrir.
Sem pressa.
Sem arrogância.
Era ele.
Khaled.
Sem terno. Sem armas visíveis.
Só uma camisa branca dobrada nos antebraços, o peito parcialmente à mostra, e um olhar que me confundia.
Ele parecia cansado.
Ou fingia bem demais.
Me olhou por longos segundos, parado na entrada. Depois entrou, devagar, como se temesse assustar.
— Posso?
Não respondi.
Mas não o expulsei.
Isso foi o suficiente.
Ele se aproximou.
Se ajoelhou diante de mim.
E quando pegou minha mão com calma, como se ela fosse feita de vidro, eu só fiquei ali, olhando aquele homem que um dia achei que poderia salvar — e que agora era o responsável por tudo que me dilacerava.
— Eu sei que você me odeia agora. — ele disse, e a voz saiu mais baixa do que eu esperava. — Mas eu preciso que a gente volte a se entender.
— Você acha mesmo que o que existe entre a gente pode ser chamado de mal-entendido?
Ele não recuou.
Não se justificou.
Mas quando ele me puxou devagar para seu peito, e sua mão começou a acariciar meus cabelos em silêncio…
Eu permiti.
Porque naquele instante, não era Khaled o monstro.
Era só um homem.
E eu?
Eu era só uma mulher cansada demais para resistir.
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— Amanhã. — ele disse antes de adormecer. — Amanhã a gente começa diferente. Mais devagar. Mais certo.
— Você promete?
Ele sorriu.
Mas não respondeu.
Porque promessas…
no mundo de Khaled…
são sempre silenciosas.

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