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Vendida ao Sheik romance Capítulo 90

Narrado por Lara

Acordei com o som de vozes abafadas no corredor.

Passos apressados, o arrastar de alguma mobília leve, e o cheiro de frutas cítricas misturado a flores frescas.

Me sentei na cama, ainda com o corpo cansado e a cabeça pesada pelos últimos dias.

Havia dormido embalada pelos dedos de Khaled nos meus cabelos — um gesto tão contraditório que doía mais do que o silêncio.

Estávamos presos naquele estranho limbo entre guerra e trégua.

E eu já não sabia o que doía mais: a prisão, ou o carinho envenenado.

Samira entrou no quarto, com uma expressão mansa.

— O senhor Khaled pediu para que você se arrumasse. — ela disse suavemente. — Ele organizou algo especial... no jardim.

— O quê?

— Um café da manhã. Apenas para vocês dois.

Minha primeira reação foi desconfiar.

Mas então me lembrei da noite anterior. Das palavras dele. Do olhar levemente quebrado.

Talvez fosse verdade.

Ou talvez só mais uma forma de me manter sob controle.

Ainda assim… me levantei.

Samira me ajudou a vestir um vestido leve, longo, num tom de azul claro. Ele fluía pelo corpo como se tivesse sido feito para um conto de fadas — se contos de fadas envolvessem esposas cativas e maridos que mandavam desaparecer suas cunhadas.

Ela prendeu meu cabelo em um coque frouxo, deixou duas mechas soltas e discretamente passou perfume atrás da minha orelha.

— Você está linda. — disse, sorrindo.

Eu não respondi.

Mas no fundo, agradeci.

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O jardim estava deslumbrante.

Uma mesa redonda de mármore branco fora montada sob uma pérgola coberta de rosas e glicínias. Almofadas de linho, uma toalha de renda, pratos de porcelana trabalhada à mão.

Havia sucos coloridos, frutas cortadas com perfeição, pequenos bolos, queijos finos, mel importado, croissants, e uma bandeja de tâmaras recheadas com creme de pistache.

Parecia cenário de filme.

Mas tudo que eu sentia era… cautela.

Khaled estava de pé, com as mãos nos bolsos, usando uma camisa clara de linho e óculos escuros. Quando me viu, tirou os óculos e sorriu de lado.

— Bom dia, habibti.

— Bom dia.

— Você está linda.

— Eu só me vesti. — murmurei.

— Não. — ele se aproximou, pegou minha mão e beijou meus dedos. — Você acordou linda.

Engoli em seco.

Ele puxou a cadeira para mim, como um cavalheiro bem treinado.

Sentei.

O gesto me lembrou do homem que ele conseguia fingir ser.

— Suspirei. — Como a gente vai explicar pra ele que o amor entre os pais dele nasceu de uma prisão?

Ele se recostou, pensativo.

— Talvez... a gente não precise explicar. Talvez ele só precise ver o que a gente construiu até lá. Se houver amor, Lara... ele vai sentir.

Arregalei os olhos, surpresa com a palavra.

— Amor?

— Eu sei que é cedo. E errado. E distorcido. — ele disse. — Mas tem algo em você... que me quebra. E que eu não sei mais viver sem.

Baixei os olhos.

— Eu queria que a história tivesse começado diferente. Queria poder olhar pra você sem medo.

— E eu queria ser outro homem.

— Ele se levantou, veio até mim, se abaixou ao meu lado e encostou a testa na minha barriga. — Mas essa criança... ela pode ser nossa chance de escrever um novo começo.

Fiquei imóvel.

Depois, encostei a mão na cabeça dele.

Por um instante, o silêncio entre nós foi real.

Não era paz.

Era trégua.

E eu não sabia quanto tempo duraria.

Mas naquele momento…

Fui apenas uma mulher grávida, sentada num jardim de flores, com um monstro de olhos fechados, dizendo que poderia ser homem.

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