Narrado por Lara
O carro deslizou pelas ruas de Dubai como se o dia tivesse sido feito só pra nós. O sol não estava forte, a brisa era quente na medida certa, e pela primeira vez desde que cheguei naquele país… eu me senti livre.
Khaled segurava o volante com uma das mãos, os olhos alternando entre o trânsito e meus gestos. Eu estava empolgada demais para ficar parada — descrevendo o doce de infância com tanta paixão que ele riu mais de uma vez.
— Você fala desse doce como se fosse um amor antigo. — ele disse.
— É quase isso. Eu não sabia o nome, só lembrava do gosto. E da vitrine gelada da confeitaria. Eu devia ter uns sete anos, e minha mãe ainda estava viva.
Ele ficou em silêncio por um momento. Depois esticou a mão e entrelaçou os dedos nos meus.
— Então hoje… você vai reencontrar essa memória. Nem que eu compre a rua inteira.
Rimos.
Chegamos a uma confeitaria charmosa no bairro de Al Wasl. Fachada elegante, janelas de vidro fosco, mesinhas externas com guarda-sóis e um aroma que me fez sorrir assim que desci do carro.
— É aqui. — sussurrei, como se fosse um segredo só nosso.
Entramos. As vitrines brilhavam com doces coloridos, bolos em camadas e uma variedade absurda de opções. E ali estava ele.
Mil-folhas com creme de limão siciliano e cobertura caramelizada.
— Meu Deus. — murmurei. — É ele. É exatamente ele.
Khaled fez sinal para o atendente, que imediatamente nos acomodou numa área reservada da confeitaria, mais afastada. Ninguém incomodou. Nenhuma pergunta. Só o som das xícaras e risadas baixas ao redor.
Sentamos. Khaled pediu o doce, chá gelado para ele, suco natural para mim. E quando o prato chegou…
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Ei… — ele se inclinou. — Tá tudo bem?
— É só que… — sorri, emocionada. — Esse gosto me lembra de um tempo onde eu era amada sem ter que fazer nada em troca.
Ele não disse nada.
Apenas se levantou, deu a volta na mesa, e sentou ao meu lado.
Quando saímos da confeitaria, ainda sorrindo, Khaled me abraçou pela cintura.
— Você quer ir pra casa?
— Quero… mas podemos ir andando até o carro. Não quero que esse momento acabe logo.
— Então não vai acabar. — ele respondeu, puxando o capuz do moletom levemente sobre a cabeça. — Vamos dar uma volta, só nós dois. Aqui ninguém te reconhece. E se reconhecer… vai achar que sou só um cara normal, passeando com a mulher mais bonita que já vi.
Sorrimos.
E andamos lado a lado pelas ruas, com as mãos entrelaçadas, os corações mais leves.
Nem percebemos que, ao longe, uma câmera clicava discretamente, eternizando aquele instante.
Mas ali…
só existiam nós dois.
E o gosto de um doce que, de alguma forma, reacendeu a esperança dentro de mim.

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