Narrado por Lara
Estávamos deitados sob o lençol branco, envoltos pela penumbra tranquila do quarto. O abajur no canto deixava a luz suave tingir tudo de dourado. Havia um cheiro bom no ar, mistura do perfume dele com a minha pele, com algo novo que eu ainda não sabia nomear, mas que me fazia querer permanecer exatamente ali.
A cabeça repousava sobre o peito firme de Khaled, que subia e descia lentamente com sua respiração. A mão dele descansava sobre minhas costas, como uma promessa muda de que eu não estava sozinha.
— Isso foi... — comecei, mas a frase morreu na garganta, como se as palavras não estivessem à altura do que eu acabara de sentir.
— Inacreditável. — ele completou, a voz rouca e baixa, ainda marcada pelo cansaço bom do prazer.
Fiquei alguns segundos em silêncio, ouvindo o coração dele bater firme sob meu ouvido.
— Eu não sabia que podia me sentir assim. — confessei.
— Assim como?
— Segura. — sussurrei.
Ele passou os dedos pelas minhas costas com calma, como se soubesse exatamente como o meu corpo precisava ser tocado naquela hora. Nem rápido, nem lascivo. Só… com presença.
— Eu quero que você se sinta assim todos os dias. — disse ele, como uma oração feita em voz baixa. — E se eu tiver que passar o resto da vida aprendendo como fazer isso… eu passo.
Fechei os olhos e sorri contra o peito dele.
Ficamos assim por um tempo, em silêncio. Meu corpo ainda latejava com o eco dele. Minhas pernas ainda sentiam a memória dos movimentos. Era diferente. Não tinha sido só sexo. Foi algo que ficou dentro de mim mesmo depois de tudo terminar.
— Khaled... — sussurrei, me apoiando nos cotovelos para encará-lo. — Já pensou em como vai ser com o bebê?
Ele virou o rosto pra mim com um sorriso de canto.
— Eu penso nisso todos os dias, Lara.
— Mesmo?
— Mesmo. — ele passou a mão na minha barriga com cuidado. — Eu penso se ele vai ter seus olhos. Se vai sorrir do jeito que você sorri quando não percebe. Se vai ser teimoso igual você. Ou mais fechado, como eu era.
Soltei uma risada suave.
— Eu espero que ele herde o seu foco. Mas não o seu jeito mandão.
— Eu espero que ele herde sua coragem. Mesmo quando tem medo, você não para.
— É o medo que me move, às vezes.
— É ele que te torna forte. — ele rebateu.


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