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Vendida ao Sheik romance Capítulo 99

Narrado por Natália

Fazia calor. Um calor seco, do tipo que gruda na pele e faz você querer arrancar o corpo fora. Mas o pior não era o calor. Era o silêncio. O silêncio de quem espera ser entregue. De quem sabe que não tem mais saída.

Eu estava sentada no chão áspero de um cômodo sem janelas, com a cabeça encostada na parede de pedra fria, tentando manter a respiração estável. O cabelo grudava na testa, o suor escorria pelas costas, e o desespero vinha em ondas, como se meu corpo tivesse esquecido como era viver sem medo.

Não sabia onde Bianca estava.

Desde o dia em que nos separaram, não consegui vê-la mais.

Mas eu ouvia. Ouviam-se os gritos.

De mulheres tentando resistir. De outras sendo vendidas.

O som do martelo batendo após cada leilão, como uma sentença definitiva.

Toc. Vendida. Toc. Vendida.

E eu sabia.

A qualquer momento, seria eu.

Eu, Natália Almeida. A preferida do papai. A que tinha o cartão sem limite. A que mandava, humilhava, manipulava. A que planejava se casar com o homem da irmã.

E agora?

Eu era só mais um número na prateleira de alguém.

— Seu nome está na próxima chamada. — disse um homem do lado de fora da cela improvisada. Ele falava inglês, com sotaque pesado. — Prepare-se.

— Não, não, não… por favor… — murmurei, encolhendo as pernas até o peito. — Isso tá errado. Eu sou brasileira. Eu sou de família rica. Eu não posso estar aqui.

Mas ninguém me ouviu.

Ou pior: ouviram… e não se importaram.

A porta de ferro se abriu com um rangido que me fez gelar. Dois homens entraram. Um deles, de barba cerrada e cicatriz no rosto, me puxou pelo braço com força.

— Não me toca! — gritei, tentando me soltar. — Eu tenho direitos! Eu tenho família! O Khaled não vai permitir isso!

O outro deu uma risada áspera.

— Foi ele quem autorizou.

E naquele segundo, meu corpo parou.

Fui levada para uma sala iluminada por holofotes, com um pequeno palco de madeira, como se fosse uma vitrine de carne humana. À minha frente, uma arquibancada com homens ricos — muito ricos. Homens de roupas caras, colares de ouro, alguns com turbantes, outros de terno. Olhares famintos. Nenhuma vergonha.

O apresentador falava em árabe, descrevendo minha idade, meu corpo, minhas origens. Exaltava meus “atributos” como se eu fosse uma jóia. Ou uma mercadoria de luxo prestes a ser enviada para um destino final.

— Começamos os lances!

Eu tremia da cabeça aos pés.

As mãos subiram.

Os números voaram.

30 mil dólares.

45 mil.

50 mil.

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