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Você sempre foi minha romance Capítulo 7

Renata

Dois meses de faculdade, ônibus lotado, noites virando café, aulas do Moretti que me deixavam com o cérebro cansado e o peito aceso.

Dois meses divididos entre estudar, trabalhar na lanchonete da madrinha e tentar reconstruir a vida que um dia implodiu nas minhas mãos.

Mas, pela primeira vez… eu estava feliz.

A campainha da porta tocou e eu ajeitei o avental, sorrindo para os clientes enquanto entregava um café duplo. O cheiro de pão quente e os risos da madrinha enchiam o ambiente — e meu coração.

Eu estava limpando uma mesa quando meu celular vibrou no bolso.

Olhei a tela.

Papai.

Meu estômago desceu.

Ele nunca me ligava.

Nunca.

Se ligou… era problema.

Atendi com a voz baixa.

— Pai?

A voz dele veio seca, forte, como sempre.

— Renata, precisamos conversar. É sobre o casamento da sua irmã.

Meu coração gelou.

— Casamento? minha voz falhou antes que eu pudesse evitar. Da Patrícia?

— Sim. Ele bufou, impaciente, como se eu fosse burra. Ela vai se casar com o Ricardo. E você precisa estar presente.

A cadeira ao meu lado pareceu girar.

Meu ex-noivo.

O homem que eu amava.

O homem que eu encontrei na cama com a minha irmã.

Engoli seco.

— Pai… eu não vou. Não tem porquê. E… isso machuca. O senhor sabe.

— Você vai sim. Ele interrompeu, como quem dá uma ordem a um funcionário. A família do Ricardo já confirmou presença em peso. E por um milagre o pai dele não rompeu a sociedade comigo quando soube do fim de vocês dois.

Eu fechei os olhos, sentindo aquela velha dor latejando, como um machucado que nunca cicatriza.

— Pai, por favor… falei baixinho. Eu não tenho condição emocional de ir a esse casamento. Eu estou reconstruindo minha vida. Eu… eu estou tentando ficar bem.

— Renata! Ele ergueu a voz. Isso vai pegar mal para mim! Vai ter gente importante, empresários, políticos… você quer me envergonhar?

Meu peito doeu.

Sempre ele.

Sempre a imagem dele.

Nunca eu.

Respirei tremendo.

— Eu não vou, pai.

Ele riu aquele riso sem humor que sempre me cortava.

— Você vai, sim. Está INTIMADA a ir. Eu não quero discussão. Compre um vestido decente e esteja lá no sábado. A Patrícia já te colocou na lista.

Minha mão suou.

— Eu não posso murmurei. O senhor não entende…

— Eu entendo muito bem. Ele cortou. Você vai, Renata. E ponto final.

E a ligação caiu.

Fiquei ali parada, olhando para o nada, sentindo as lágrimas subindo, mas engolindo todas antes que pudessem cair.

Eu já tinha chorado demais por aquela família.

Por aquele homem.

Por aquela traição.

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