Renata
Entramos em uma loja tão iluminada que parecia que cada vestido tinha sido colocado ali para roubar o fôlego de alguém.
Ana Júlia soltou um assobio baixo.
— Aqui é caro, hein… ela sussurrou, mas seus olhos brilhavam. Perfeito pra você escolher um vestido arrasador.
Eu ri de nervoso.
— Arrasador é o preço, né? Eu não posso comprar nada daqui, Ana…
— Pode sim ela pisou fundo, puxando minha mão. Você merece. Nem que a gente só experimente pra eu ver você linda.
Suspirei, porque discutir com Ana era inútil.
A vendedora se aproximou com um sorriso profissional.
— Boa tarde, meninas. Procuram algo especial?
Ana respondeu antes de mim.
— Um vestido de casamento. Algo elegante, poderoso e que combine com o tom de pele maravilhoso dessa minha amiga.
A vendedora me olhou de cima a baixo e seus olhos brilharam.
— Morena cor de jambo… pele quente e iluminada… eu tenho exatamente o que vai valorizar. Esperem aqui.
Ela voltou com três vestidos. Mas um… um deles parecia acender na minha mão.
Era longo, com um caimento que abraçava o corpo sem vulgaridade, num tom champagne com reflexos dourados.
Aquele dourado não era exagerado era quente, iluminado, como se tivesse sido feito para encostar na minha pele.
Fiquei sem fala.
— Vai. Experimenta! Ana praticamente me empurrou para o provador.
Quando saí, Ana ficou sem reação. A vendedora também. Até eu fiquei.
O tecido parecia escorrer pelo meu corpo como luz líquida. A cor destacava minha pele, deixava meus ombros brilhando, meu colo delicado… e meus olhos pareciam até mais intensos.
— Amiga… Ana levou a mão ao peito você tá… linda! Não linda normal. Linda tipo a noiva deve se esconder quando você passar.
Eu ri, meio sem graça, meio emocionada.
— Tá perfeito murmurou a vendedora. Esse vestido foi feito pra você.
Limpei discretamente uma lágrima que insistiu em cair.
— Eu não posso comprar isso. Deve custar o aluguel da minha madrinha inteiro.
Ana revirou os olhos e fez algo que me desmontou.
— Vai tirar o vestido não. Eu vou levar.
— O quê?! engasguei.
— Renata, deixa eu fazer isso. Você me contou sua história, me acolheu na faculdade, me ajudou nas aulas… E, francamente, depois de tudo o que você passou, você merece entrar naquele casamento parecendo a mulher mais linda do salão. É um presente. Meu e seu.
— Ana… eu não posso aceitar…
Ela segurou meu rosto com as duas mãos.
— Pode sim. E vai aceitar. Amiga é pra isso.
Eu desabei no abraço dela por alguns segundos. Gratidão quente, pesada, boa.
ESCOLHENDO A SANDÁLIA
A vendedora trouxe mais três caixas de sapato.
Ana bateu palminhas.
— Agora vamos achar uma sandália que faça esse vestido chorar de emoção.
A primeira era simples demais.
A segunda, desconfortável.
Mas a terceira…
Ah, a terceira.
Era uma sandália nude-dourada, delicada, com tiras finas que subiam pelo pé, elegante e ao mesmo tempo poderosa.
Calcei.
Fiquei alta. Confiante. Forte.
Ana sorriu como quem observa uma obra-prima.
— Pronto. Agora eu tenho certeza: ninguém vai tirar seu brilho sábado. Nem sua irmã. Nem aquele ex-noivo sem vergonha. Nem seu pai.
Olhei meu reflexo no espelho.
Não vi mais a garota quebrada que correu de casa.
Vi alguém nova.
Alguém renascendo.
— Obrigada, Ana sussurrei, emocionada.
— De nada, minha deusa jambo ela piscou. Agora vamos pagar antes que eu mude de ideia e compre mais alguma coisa.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Você sempre foi minha