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Você sempre foi minha romance Capítulo 8

Renata

Entramos em uma loja tão iluminada que parecia que cada vestido tinha sido colocado ali para roubar o fôlego de alguém.

Ana Júlia soltou um assobio baixo.

— Aqui é caro, hein… ela sussurrou, mas seus olhos brilhavam. Perfeito pra você escolher um vestido arrasador.

Eu ri de nervoso.

— Arrasador é o preço, né? Eu não posso comprar nada daqui, Ana…

— Pode sim ela pisou fundo, puxando minha mão. Você merece. Nem que a gente só experimente pra eu ver você linda.

Suspirei, porque discutir com Ana era inútil.

A vendedora se aproximou com um sorriso profissional.

— Boa tarde, meninas. Procuram algo especial?

Ana respondeu antes de mim.

— Um vestido de casamento. Algo elegante, poderoso e que combine com o tom de pele maravilhoso dessa minha amiga.

A vendedora me olhou de cima a baixo e seus olhos brilharam.

— Morena cor de jambo… pele quente e iluminada… eu tenho exatamente o que vai valorizar. Esperem aqui.

Ela voltou com três vestidos. Mas um… um deles parecia acender na minha mão.

Era longo, com um caimento que abraçava o corpo sem vulgaridade, num tom champagne com reflexos dourados.

Aquele dourado não era exagerado era quente, iluminado, como se tivesse sido feito para encostar na minha pele.

Fiquei sem fala.

— Vai. Experimenta! Ana praticamente me empurrou para o provador.

Quando saí, Ana ficou sem reação. A vendedora também. Até eu fiquei.

O tecido parecia escorrer pelo meu corpo como luz líquida. A cor destacava minha pele, deixava meus ombros brilhando, meu colo delicado… e meus olhos pareciam até mais intensos.

— Amiga… Ana levou a mão ao peito você tá… linda! Não linda normal. Linda tipo a noiva deve se esconder quando você passar.

Eu ri, meio sem graça, meio emocionada.

— Tá perfeito murmurou a vendedora. Esse vestido foi feito pra você.

Limpei discretamente uma lágrima que insistiu em cair.

— Eu não posso comprar isso. Deve custar o aluguel da minha madrinha inteiro.

Ana revirou os olhos e fez algo que me desmontou.

— Vai tirar o vestido não. Eu vou levar.

— O quê?! engasguei.

— Renata, deixa eu fazer isso. Você me contou sua história, me acolheu na faculdade, me ajudou nas aulas… E, francamente, depois de tudo o que você passou, você merece entrar naquele casamento parecendo a mulher mais linda do salão. É um presente. Meu e seu.

— Ana… eu não posso aceitar…

Ela segurou meu rosto com as duas mãos.

— Pode sim. E vai aceitar. Amiga é pra isso.

Eu desabei no abraço dela por alguns segundos. Gratidão quente, pesada, boa.

ESCOLHENDO A SANDÁLIA

A vendedora trouxe mais três caixas de sapato.

Ana bateu palminhas.

— Agora vamos achar uma sandália que faça esse vestido chorar de emoção.

A primeira era simples demais.

A segunda, desconfortável.

Mas a terceira…

Ah, a terceira.

Era uma sandália nude-dourada, delicada, com tiras finas que subiam pelo pé, elegante e ao mesmo tempo poderosa.

Calcei.

Fiquei alta. Confiante. Forte.

Ana sorriu como quem observa uma obra-prima.

— Pronto. Agora eu tenho certeza: ninguém vai tirar seu brilho sábado. Nem sua irmã. Nem aquele ex-noivo sem vergonha. Nem seu pai.

Olhei meu reflexo no espelho.

Não vi mais a garota quebrada que correu de casa.

Vi alguém nova.

Alguém renascendo.

— Obrigada, Ana sussurrei, emocionada.

— De nada, minha deusa jambo ela piscou. Agora vamos pagar antes que eu mude de ideia e compre mais alguma coisa.

Capítulo 8 1

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