Renata
O sábado chegou antes de eu estar preparada.
Acordei com o coração acelerado, aquela mistura de ansiedade, medo e… um fiozinho de força que eu nem sabia que existia.
O sol atravessava a cortina do quarto da Ana Júlia, iluminando tudo com um tom dourado que parecia combinar com o meu vestido. Um presságio.
Ana bateu na porta com energia de quem nunca acorda mal-humorada.
— Bom dia, minha deusa jambo! ela cantou. Hoje é dia de calar a boca de meio mundo. Levanta!
Eu enterrei o rosto no travesseiro.
— Eu podia fingir que morri?
— Pode sim. Depois do casamento. Ela puxou o cobertor de cima de mim. Anda. Banho, café e preparação de diva. Temos muito trabalho.
Suspirei fundo.
Era hoje.
O dia que eu mais temia… mas também o dia em que eu iria mostrar que sobrevivi.
CAFÉ DA MANHÃ
Enquanto eu tomava banho, Ana preparou um café reforçado com a seriedade de uma estilista montando um desfile.
Quando saí, havia:
Torradas
Café fresquinho
Morangos com açúcar
E uma vitamina de banana que ela jurou ser “poder líquido”.
— Precisa de energia pra não desmaiar na frente daquela gente ela comentou, empurrando o copo na minha mão.
— Você fala como se eu fosse uma gladiadora indo pra arena.
Ela deu de ombros.
— E não é?
Eu ri. Nervosa, mas ri.
COMEÇANDO A SE ARRUMAR
Ana colocou uma playlist animada para “espantar energia ruim”.
Depois espalhou tudo sobre a cama: maquiagem, creme, produtos para cabelo, acessório, grampo, e o vestido dobrado feito tesouro.
— Vamos começar pela pele ela decretou.
Eu sentei na cadeira improvisada enquanto ela passava:
Hidratante
Primer
Um sérum que cheirava a pêssego
E um creme gelado que acordou até minha alma
Você vai brilhar tanto que até o lustre do salão vai pedir licença Ana falou, concentrada.
Eu fechei os olhos, sentindo aquela sensação de cuidado… algo que eu não recebia há muito tempo.
A MAQUIAGEM
Ana fazia tudo com calma.
Delicadeza.
Como se cada pincelada fosse um remendo na minha autoestima.
Ela escolheu uma maquiagem quente:
Sombra dourada suave
Marrom esfumado no canto
Iluminador no alto da bochecha
Batom nude com fundo pêssego
E cílios que deixavam meus olhos expressivos
Quando abriu o espelho na minha frente, eu prendi a respiração.
— Ana… eu tô bonita demais.
Ela sorriu orgulhosa.
— Não. Você está exatamente como sempre deveria ter se visto.
O CABELO
— Agora o cabelo ela disse, esfregando as mãos animada.
Secou devagar, modelou as mechas, deixou ondas largas caindo sobre os ombros.
Depois separou duas mechinhas finas na frente, criando um contorno suave no rosto.
— Pronto. Você tá parecendo protagonista de filme caro.
Eu ri, corando.
O VESTIDO
O momento de vestir o vestido chegou.
E só de olhar pra ele, meu coração apertou.

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