Enquanto isso, no Solar Xander.
Várias faixas de luz quebrada escoavam silenciosas pelas janelas entalhadas, espalhando sombras salpicadas sobre a escrivaninha de sândalo.
Lá dentro, um homem estava sentado em silêncio ao lado da mesa. A luz amaciava as linhas de seus traços, por natureza frios e afiados.
À sua frente, uma caixa de brocado permanecia aberta. Dentro, repousava um anel trançado de medula de papel.
Com o passar do tempo, as pétalas tinham amarelecido, quase desbotadas.
Era algo simples, de aparência insignificante, e ainda assim Xander o fitava com atenção obstinada.
Sua expressão era complexa. Havia nela saudade, talvez tristeza ou nostalgia.
Quando Nelson entrou, viu Xander outra vez absorto, encarando aquele anel.
Ele suspirou, avançou em silêncio e parou a alguns passos da escrivaninha.
Informou: "Sua Alteza, fiz conforme ordenado. O item foi entregue à propriedade do duque, e o Duque Henry recebeu o devido aviso."
Xander não ergueu a cabeça. Os olhos continuaram presos ao anel de medula. Fez um gesto leve com a mão. "Pode ir."
Nelson hesitou. Quis falar, mas não ousou.
Aquele anel fora presente de uma mulher a seu senhor.
Nelson pensou: "Que mulher sem coração conquistou o coração do Príncipe Xander, para depois desaparecer sem deixar vestígios?"
Já se haviam passado oito anos inteiros. Não era de espantar que a mãe de Xander quisesse escolher-lhe uma consorte, e ainda assim ele recusasse.
Nelson saiu do aposento. Depois de um longo momento, Xander fechou a caixa de brocado com cuidado.
Murmurou, amargo, entre dentes ligeiramente cerrados: "Mulher sem coração..."
Xander chamou em tom cortante: "Nelson!"
Nelson respondeu prontamente: "Às ordens. Tem instruções, Sua Alteza?"
Os olhos de Xander, desprovidos de calor, voltaram-se para ele. "Como ela está?"
"Ela?" Nelson piscou, então entendeu de quem se tratava.
Recobrou a compostura e respondeu, com respeito: "A Senhorita Monson vai muito bem. O ferimento na mão recuperou a mobilidade. Sua Alteza pode ficar tranquilo."
Nelson estava intrigado. Mesmo que Xander quisesse agradecer Athena, não precisava ir tão longe.
A menos que Athena fosse justamente aquela que capturara o coração de Xander anos atrás.
Um suor frio brotou nas costas de Nelson.
Isso explicaria por que Xander a tratava com tanto zelo, enviando comida, chegando até a defendê-la.
Nelson não conseguiu evitar lançar um olhar a Xander, claramente hesitante.
Xander lhe lançou um olhar gélido. "O que foi?"
"Por que Sua Alteza trata a Senhorita Monson de modo tão... diferente?" Nelson enfim perguntou, reunindo coragem.
Melhor ser repreendido do que ser atormentado pela própria curiosidade.
Xander fulminou-o com o olhar. "Desde quando você ficou tão intrometido, Nelson?"
Mas o tom não era irado. Nelson se surpreendeu.
Sentindo-se encorajado, prosseguiu: "Perdoe-me, mas a situação da Senhorita Monson é difícil. Até eu, que sou de fora, acho duro de ver."
Então, olhou para Xander.
Vendo Xander franzir de leve a testa, Nelson ficou ainda mais convencido de seu palpite. Hesitou e disse, respeitoso: "Perdoe minha ousadia, Sua Alteza, mas o senhor tem estado sozinho todos esses anos. Se de fato aprecia Lady Athena, por que não a mantém por perto? Ao menos assim, ninguém a importunaria."
A expressão de Xander gelou no mesmo instante. "Quem ousa fazer mal a ela?"
Logo percebeu o descontrole; respirou fundo algumas vezes, e o rosto se encheu de impotência.
Ah, se ao menos pudesse. Mas Athena talvez não quisesse.
Nelson a viu partir e suspirou. Xander esperara tanto para vê-la, e ela sequer cruzou a soleira.
"Quão desapontado Sua Alteza deve estar", suspirou ele por dentro.
Com um suspiro pesado, Nelson voltou ao pátio, apenas para encontrar as portas do gabinete firmemente fechadas.
Athena deixou o Solar Xander e voltou à carruagem.
Trina suspirou, aliviada. "Minha Lady, enfim voltou. Toda vez que entra no Solar Xander, eu fico um trapo de nervos."
"Nervosa por quê?" Athena riu.
"Tenho medo de que diga algo que desagrade o Príncipe Xander. Ele é tão frio e implacável e, se o irritar, ele pode..." Trina imitou com a mão um golpe de machado.
Athena caiu na risada. "Ele não é um tigre devorador de gente. Não é tão assustador quanto você imagina."
Mas Trina sacudiu a cabeça, pálida de preocupação. "A senhora não entende. Só de ouvir 'Solar Xander', meus joelhos amolecem."
"Ah, você..." Athena riu, balançando a cabeça.
A carruagem seguiu em direção à propriedade do duque, mas, passado um tempo, Athena percebeu que a rota havia mudado.
Trina perguntou, na defensiva: "O que está acontecendo? Por que o caminho mudou?"
Do lado de fora, o cocheiro respondeu: "Hoje há a inauguração de uma loja na Rua dos Bordos. A cerimônia bloqueou a via, então peguei um desvio. Vai levar só um pouco mais."
"Entendo", respondeu Athena, e silenciou.
Contanto que a carruagem permanecesse dentro da Cidade de Pidence, não deveria haver problema sério.
De súbito, a carruagem parou num solavanco. O gaguejar apavorado do cocheiro veio em seguida: "Q-quem... quem é você?"
"Cai fora!" rosnou o homem, fazendo o cocheiro fugir com um guincho de pavor.
Athena ergueu a cortina e viu um homem de negro parado no meio da estrada.
Ele empunhava um bastão de madeira, a expressão feroz e ameaçadora.

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