Athena fitou o homem de preto parado no meio da estrada, o rosto encoberto.
Seu semblante escureceu de imediato.
"Lady Athena." Trina segurou o braço de Athena, nervosa. "Por que não fugimos? Vai na frente, eu protejo você."
Athena lançou-lhe um olhar tranquilizador, pedindo em silêncio que não entrasse em pânico. Antes que Trina reagisse, Athena já tinha ido à frente da carruagem e apanhado as rédeas.
Então, num estalo do pulso, o longo chicote açoitou na direção do homem de preto.
O golpe pegou em cheio o rosto do homem.
Athena repuxou as rédeas com firmeza, o olhar gélido, e gritou: "Vamos!"
A carruagem investiu direto contra o homem de preto.
Ele não esperava que uma jovem criada no luxo soubesse conduzir uma carruagem. Assustado, rolou para o lado e desviou por um triz.
Observando das sombras, Matthew cerrou o maxilar e praguejou: "Inútil. Nem uma coisa simples dessas consegue fazer."
Ao ver que Athena estava prestes a sair do beco, ele se desesperou e partiu em perseguição a cavalo.
O troar dos cascos ribombou atrás dela.
Antes que Athena visse claramente quem se aproximava, uma força brutal a arrebatou para cima.
"Lady Athena!" Trina gritou, apavorada, e então viu quem era o cavaleiro.
Os olhos dela se arregalaram de choque. "Como assim... Lorde Matthew?"
O mundo girou para Athena. Pendurada de cabeça para baixo, tudo o que via era o chão passando veloz sob seus olhos, o vento uivando nos ouvidos.
Ela lutou contra a vertigem e obrigou-se a erguer a cabeça. Finalmente viu o rosto do cavaleiro.
"Matthew, você enlouqueceu?" gritou, furiosa.
Matthew exibiu um sorriso de escárnio. "Você voltou faz tempo e eu ainda não te levei para se divertir. Que pena. Hoje pintou a chance perfeita. Vamos nos divertir."
Dito isso, estalou as rédeas e berrou: "Rá!" Enterrou os calcanhares no ventre do cavalo, que disparou ainda mais veloz.
Athena sentia as vísceras fora do lugar, os ossos prestes a se desfazer.
Sem forças, só conseguia tentar erguer a cabeça no sacolejo, torcendo por uma forma de pedir socorro.
Como se lesse seus pensamentos, Matthew tomou de propósito os caminhos mais ermos. Não cruzaram uma alma viva.
A voz dele veio fria, zombeteira: "Quer ser resgatada? É melhor esquecer essa ideia."
"Me solta!" Athena gritou, tomada de fúria.
Não esperava que Matthew fosse tão cruel. Nem a própria irmã ele poupava. Era um monstro.
A voz de Matthew pingava ódio: "Desde que você voltou, vive de cara amarrada, fria com nossos pais e sempre atacando seus irmãos."
E acrescentou: "Onde foram parar os seus modos? O que você aprendeu nesses três anos fora? Hoje vou te dar uma lição. Caso contrário, você vai manchar a reputação da família Monson!"

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