POV: HENRY
Nada, nenhuma reação.
A respiração dela era rasa, quase imperceptível. Ela não chorava. E isso era o que mais doía. Porque quando nem o choro vem, é porque o estrago já é profundo demais.
Mordi o interior da bochecha. As palavras de Theodor ecoaram na minha mente.
"Nosso amor vai curá-la."
Tom pretensioso. Ingênuo até. Mas era nisso que eu queria acreditar.
— Eu vou cuidar de você — Eu falei com a voz baixa, firme. — Você não precisa dizer nada agora. Só fica aqui... comigo. Deixa que eu cuido de tudo.
Ela piscou. Lenta. Uma única lágrima escorreu, discreta, quase invisível.
Sim, eu faria isso. Amar, cuidar e proteger. Não era promessa vazia, era decisão. Instintiva. Definitiva.
Comecei a soltar o zíper do vestido dela, aquele tecido justo que parecia mais uma armadura ou uma prisão. Ela estava sufocada ali dentro, e não só pelo pano. Cada costura parecia apertar os traumas que ela ainda não conseguia nomear.
Lauren ergueu o rosto, encarando o teto. Não disse nada. Apenas deixou que as lágrimas escorressem. Silenciosas. Doloridas. Tão humanas quanto ela.
Desci o tecido com cuidado, passando pelas curvas delicadas do corpo dela, sem pressa, respeitando cada centímetro. Quando a deixei completamente nua, olhei para ela, não por desejo, mas por indignação. Havia marcas e machucados.
Subi devagar. Acariciei sua bochecha, estava levemente inchada. O tapa de Ethan. A covardia ainda impressa ali, como se ele tivesse este direito de a tocar e a ferir.
Beijei o local. Depois sua testa. Quente. Frágil.
Tirei minha roupa, sem cerimônia, ficando apenas de cueca. A peguei nos braços e a levei comigo para dentro da banheira já cheia. A água morna envolveu nossos corpos e a posicionei contra o meu peito, acolhida entre os meus braços, de forma seguro e protetora.
Segurei o chuveirinho e comecei a molhar seus cabelos, descendo pela pele pálida. Toquei devagar. Massageei. Limpei. Era mais do que um banho, era uma tentativa de reconstrução.
— Está tudo bem, pequena. — Eu sussurrei no ouvido dela, com os lábios quase tocando sua pele. — Eu vou cuidar de vocês. Você não precisa mais se preocupar. Eu estou aqui. E não vou sair.
O choro dela mudou. Ficou mais pesado. Doído. Como se tivesse quebrado algo por dentro. Eu a abracei mais forte. Odiava vê-la assim. Sentir sua dor e não conseguir arrancá-la de uma vez.
Comecei a ensaboar seus fios com delicadeza. Logo percebi os gemidos baixos, quase inaudíveis, cada vez que tocava seu couro cabeludo. Olhei mais de perto. Estava vermelho. Irritado. Ferido.
O sangue me ferveu.
Ethan, seu maldito. Um dia você vai sentir o gosto da própria crueldade, e eu vou garantir isso.
Enxaguei com cuidado, evitando pressionar. Desci para suas costas, massageando com óleo corporal, sentindo o arrepio que percorria sua pele. Beijei seus ombros, um de cada vez. Pequenos gestos, sem pressa.
— Você é linda. — Eu murmurei contra sua pele úmida. — É amada.
Ergui os braços dela com delicadeza, deslizei o sabonete por cada centímetro. Quando cheguei ao queixo, o toque foi leve. Levantei seu rosto para me encarar. Os olhos estavam inchados, vermelhos, o olhar perdido..., mas ela estava ali. Presente. De alguma forma, lutando.

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