POV: HENRY
Nos últimos dias, o trabalho estava caótico. A desculpa esfarrapada de Ethan sobre um ataque e roubo de dados financeiros não me convencia nem por um segundo. A mesma coisa havia acontecido na empresa do pai da Lauren. Coincidência? Duvido. Eu conhecia esse jogo sujo, e ele não ia me enganar.
Além disso, sem a denúncia formal da Becker contra o assédio que ele cometeu, não podíamos usar isso como parte do processo contra ele. E agora, o desgraçado simplesmente evaporou. Sua ausência na PharmaCare Industries já estava sendo sentida. Ninguém sabia onde ele estava, nem mesmo em sua própria casa. Como uma praga, ele havia sumido sem deixar rastros.
— Maldito rato sorrateiro! — Eu praguejei, socando a mesa com tanta força que os papéis sobre ela tremeram. O sangue latejava em minhas têmporas, a mandíbula travada de pura frustração. — Sabem onde está a esposa dele?
— Igualmente sumida, meu amigo. — Lucian respondeu, me observando atentamente, sua expressão carregada de um misto de diversão e seriedade. — Mas não se preocupe. Ethan ainda se recupera da cirurgia plástica, e a mulher dele está grávida. Uma hora, vão ter que aparecer.
Meu peito subia e descia de forma irregular. Meu controle estava por um fio. Fechei os olhos por um instante, tentando afastar a onda de ódio que subia pela minha garganta como bile.
— Eles podem simplesmente ter deixado o país com todo o dinheiro que roubaram! — Eu gritei, meus punhos cerrados, sentindo os músculos dos braços tensionarem. O ódio queimava em minhas veias como veneno. — Mas não é só pela grana...
— Eu sei. — Lucian se aproximou, sua voz mais grave agora, firme. Tocou meu pulso, segurando-o para evitar que eu socasse outra coisa. — Acredite, nós vamos fazer esse desgraçado pagar pelo que fez com a Sra. Lauren.
O nome dela ecoou no ar, como um lembrete cruel de tudo que ela havia sofrido. Meu peito apertou. Odiava a ideia de não estar com ela agora, de não a proteger. Ethan pagaria. Por cada lágrima, cada medo, cada dor que ele a fez sentir.
— Mas agora, precisamos nos concentrar neste encontro com os clientes. — Lucian concluiu, me lançando um olhar significativo.
Fechei os olhos por um segundo, puxando o ar com força, tentando me recompor. Eu queria esmagar Ethan Walker.
Lucian suspirou e mudou de assunto, tentando aliviar a tensão.
— Ainda não entendi por que eles sempre insistem em se encontrar em boates. — Eu torceu o nariz, visivelmente desgostoso. — É um negócio, não uma curtição. Deviam levar a sério.
Revirei os olhos e soltei um suspiro exasperado.
— Ora, meu amigo casado, nem todos têm uma bela companhia esperando em casa. — Ele riu divertido. — Além do mais, às vezes é bom misturar prazer com negócios. Torna tudo menos entediante.
— Falei isso por vocês, solteiros. — Eu dei de ombros. — Eu prefiro estar em casa com minha esposa e filhos.
Lucian me olhou com surpresa, arqueando as sobrancelhas.
— Olha só, quem diria que eu ouviria essas palavras de você? — Ele provocou, e joguei uma caneta nele, que gargalhou. — Fico feliz que tenha encontrado felicidade e paz.
Endureci o olhar, cerrando os punhos.
— Só terei paz quando o maldito Ethan Walker estiver morto. — Minha voz saiu carregada do ódio contido. — Enfim, vamos logo para essa maldita reunião. Tenho um encontro hoje.
Lucian parou abruptamente e me encarou com um cenho franzido.
— Encontro? — Ele perguntou confuso. — Você se esqueceu que é casado?
Ri baixo e bati em suas costas, empurrando-o para fora da sala.

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