POV: HENRY
Quando o corpo dela começou a tremer e a pele perdeu toda a cor, eu me vi prestes a ceder. Quis puxá-la para os meus braços, sentir seu calor desmoronando no meu peito, acalmar cada soluço, secar cada lágrima que escorria pelos seus olhos tão doces e assustados. Quis prometer que tudo ficaria bem, mesmo com o caos explodindo dentro de mim, porque, droga… eu a amo. Amo com uma força que me assusta. Como nunca amei ninguém.
Mas o amor que eu sentia se chocava violentamente com o gosto amargo da decepção.
— No final das contas, Lauren... — soltei, com a voz mais baixa e seca do que pretendia — a mídia estava certa sobre você.
Me sentei na beirada da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas diante do corpo rígido. Ela estava parada à porta, soluçando, os ombros sacudindo em silêncio. Seus dedos trêmulos ainda seguravam a maçaneta como se aquilo fosse o último fio de sustentação.
E mesmo assim, ela saiu.
Saiu.
E eu deixei.
Deixei a mulher que eu amo ir embora sem conseguir encarar o fato de que ela mentiu para mim. Me enganou. Me usou. E eu? Eu fui o idiota que acreditou em cada palavra, em cada toque, em cada maldito olhar.
Fechei os olhos, e a revolta que vinha tentando manter enterrada explodiu no meu peito como uma maldita granada.
— Como eu pude ser tão idiota? — cuspi as palavras, sentindo a garganta queimar.
O suor já escorria pelas minhas têmporas. O coração socava meu peito com tanta força que eu mal conseguia respirar direito. Minhas mãos tremiam, e o estômago parecia um nó apertado, como se estivesse prestes a vomitar tudo que restava de dignidade.
Eu estava disposto a ignorar tudo o que diziam sobre ela, a acreditar que o que tínhamos era verdadeiro. Eu estava pronto para implorar que ela acreditasse em mim, para provar minha inocência, para dar-lhe tudo o que ela quisesse, para ser o homem que ela precisava. Tudo para quê? Para descobrir que, no final, fui o idiota que acreditou em tudo, que amou o filho dela como se fosse meu, quando a verdade estava ali o tempo todo, bem diante de mim.
Filho...
Aquele pensamento me atingiu com mais força que qualquer soco que já levei na vida. Filhos significam verdade. Família. Confiança. E ela escondeu isso de mim.

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