POV: HENRY
— E pior... Como Theo ficará com tudo isso? — Eu murmurei, destruído, esfregando as mãos no rosto exausto. Meu corpo tremia de cansaço, a mente latejando com a avalanche de sentimentos que me engoliam. Foi quando meu celular vibrou sobre a mesa.
Olhei o identificador. Lucian.
Respirei fundo, tentando conter o peso da frustração que me esmagava. Ainda perdido em meus pensamentos, atendi.
— Fala. — Minha voz saiu áspera, quebrada.
— Ela não acreditou em você? — Lucian captou meu tom imediatamente.
Engoli em seco, uma onda de dor atravessando meu peito. Meu olhar se voltou instintivamente para a porta, a mesma pela qual Lauren havia saído sem olhar para trás.
— Isso já não importa mais. — Eu murmurei, a raiva pulsando sob minha pele. — O que houve?
Lucian hesitou, o que só aumentou minha impaciência.
— Os resultados do seu exame saíram. Está confirmado que você foi drogado. — Lucian falou firme, com irritação contida. — O problema é que não temos provas diretas contra Mia. Segundo os clientes, uma mulher e um homem se aproximaram de você depois que já havia bebido e estava distraído com os documentos.
Meu estômago revirou. Um gosto amargo subiu à minha boca.
— Quem era o homem? — Minha voz saiu cortante, minha respiração acelerada.
— James. — Lucian exalou pesadamente, a irritação transparecendo. — Estou tentando identificar quem adulterou sua bebida. Acho que foi algum garçom, mas ninguém quer confessar. Se descobrirmos, podemos levá-lo para depor, mas isso não será fácil. É crime.
O sangue subiu à minha cabeça. Meus punhos se cerraram, os músculos retesados de ódio.
— Divulgue o resultado. — Eu cuspir, sentindo o peso da traição corroer meu autocontrole. — Peça à assessoria que jogue a culpa em Mia e James. Eles conseguiram destruir tudo o que eu amava. Eles não vão sair impunes.
Meu peito subia e descia rapidamente, o coração martelando nas costelas. O calor do ódio queimava dentro de mim, e ainda assim, no fundo, uma dor fria latejava.
Lucian hesitou do outro lado da linha.
— Henry... Lauren vai entender quando vir o exame. Ela vai perceber que foi enganada. — Ele tentou me confortar.
Engoli em seco, o nó na garganta quase insuportável, rindo em seco sem humor.

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