POV: LAUREN
Dei um passo à frente, estendendo os braços, mas ele recuou, os olhos brilhando de dor e medo. Meu peito apertou com a rejeição dele.
— Eu te amo, você sempre será o meu filho. — Eu continuei sentindo minha voz falhar. — E, claro que poderá ver sua irmã. Nada mudará isso.
— É uma menina? — Ele parou de recuar. Seus olhos se arregalaram em surpresa e, então, desceram lentamente até minha barriga. Ele a encarou como se só agora percebesse a realidade. — Eu quero vê-la todos os dias. Quero brincar com ela, cantar para ela dormir... dar banho, contar histórias. Você não pode ir embora. Eu não vou deixar. Quero a vovó aqui também!
— Theodor, por favor, me escute... — Eu tentei mais uma vez, sentindo meu corpo inteiro estremecer.
— Não! — ele gritou com raiva, e em um impulso, jogou a mochila com força contra o chão. O som seco ecoou pelo quarto. — Eu não vou perder minha família de novo! — Os olhos dele marejavam e a respiração estava entrecortada. — Onde está o tio Henry? Por que ele está deixando isso acontecer?
— Theo... — Eu tentei conter, mas ele saiu correndo pelos corredores da mansão, gritando pelo tio com a voz embargada de choro.
Fiquei paralisada por alguns segundos, e o som da dor dele me cortava por dentro. Minhas pernas estavam fracas, minha respiração curta. Ouvir a dor de Theodor era como sentir meu próprio coração se despedaçar em pedaços miúdos e impossíveis de juntar.
Logo depois, a voz de Carter ecoou pela casa. Ele havia chegado. Talvez tivesse vindo garantir que eu realmente fosse embora antes que Theo aparecesse... ou talvez estivesse ali para enfrentar o que quer que fosse. Apertei os olhos com força, tentando conter as lágrimas, e comecei a enfiar as roupas na mala de qualquer jeito, movida por uma raiva misturada com tristeza e humilhação.
— Mamãe, termine de arrumar as coisas, por favor. — Eu pedi, com a voz trêmula e os dedos sacudindo ao segurar as peças de roupa. — Eu vou resolver isso.
— O que vai fazer? — ela perguntou, enxugando o rosto ainda molhado pelas lágrimas. Sua expressão era de puro sofrimento. — Filha... não tem mesmo como vocês resolverem isso sem a separação? Eles foram a melhor coisa que nos aconteceu. Amo Theodor como se fosse meu neto. E Henry... — sua voz falhou — Henry é como o filho que eu nunca tive.
Suspirei, sentindo um gosto amargo invadir minha boca. Mordi o lábio por dentro com tanta força que quase senti o sangue.
— Mamãe... Carter jamais vai aceitar um filho de outro homem. — Eu falei, olhando para ela com os olhos marejados. — E eu... eu não consigo perdoá-lo por ter me traído com Mia. Eu tentei. Juro que tentei. Mas não consigo.

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