POV: HENRY
— Mia, querida... — Eu sussurrei, deslizando uma das mãos pelo seu rosto com calma, como se houvesse ternura ali. Ela fechou os olhos por um segundo, acreditando que estava vencendo. Foi quando minha mão deslizou para o pescoço dela, firme. E então apertei.
— H-Henry... — Ela arfou, a respiração falhando, os olhos se arregalando enquanto eu a forçava para trás, contra a mesa. Seus braços tentavam empurrar meu peito, mas não tinha força. — Está me machucando!
Inclinei-me ainda mais, colando meus lábios perto de sua orelha. A voz saiu baixa, fria como gelo.
— Isso... não é nem de longe o que você e aquele desgraçado do James merecem. — Meus dedos apertaram com mais força. — Me drogaram. Me expuseram. Tentaram destruir o que eu tenho com a Lauren. Mancharam minha reputação, colocaram meu nome na lama, achando que eu ficaria quieto? Acharam mesmo que iam sair impunes?
Ela se debatia, gaguejando, os olhos cheios de lágrimas.
— C-Como... como você sabe...? — Ela balbuciou, em choque.
Ela tentou me chutar, mas eu subi o joelho, pressionando com força contra as pernas dela, imobilizando-a. Ela gemeu de dor, e finalmente o medo tomou conta de cada traço do seu rosto.
— Você acha que eu sou idiota? — Eu falei entre os dentes, o olhar fixo no dela. — Eu comecei a me lembrar. Lembrar dos flashes, do gosto metálico na boca, da sua mão nojenta tentando me tocar enquanto eu chamava pela Lauren. E mesmo assim você teve a audácia de aparecer aqui, como se eu fosse te receber de braços abertos?
— Me solta, por favor... — Ela choramingou, assustada, vulnerável como nunca. — Por favor, Henry... está me machucando...
— Achei que me queria, Mia. — Eu falei com a voz baixa e gélida, pressionando ainda mais os dedos contra o seu pescoço. — Me diz… quando eu me recusei a tocar em você, quando te afastei dentro daquele maldito carro, o que você fez? Amanheci com o rosto ardendo. Você me bateu… por que não conseguiu me estuprar?
— Eu… Eu… — Ela tremia, os olhos arregalados, lágrimas se formando e escorrendo pelas bochechas borradas de maquiagem. — Eu só… só queria você de volta, nunca quis te machucar… foi ideia do James te drogar… eu juro...
— Isso não interessa! — Eu explodi, minha voz reverberando pelas paredes. — Foda-se quem teve a ideia. Você aceitou, você executou. E agora vai pagar. Assim como ele. Eu vou acabar com vocês dois, arruinar suas vidas, suas reputações, seus nomes... até não sobrar absolutamente nada. Do mesmo jeito que tentaram fazer comigo.
Ela arfava, os braços fracos tentando afastar minhas mãos. Seu rosto já vermelho agora começava a perder a cor, e os lábios… roxos.
— Henry… por favor… — Mia sussurrou com dificuldade, o ar escapando com esforço entre os dentes. — N-não consigo… respirar…
Mas eu não via mais nada além da dor. A dor que ela causou. A vergonha que quase me destruiu. A maneira como ela zombou da Lauren, como riu… como tentou apagar a única mulher que fez meu mundo parar.
Não era só raiva. Era nojo. Ódio. No limite da repulsa.
— Você diz que me ama? — Eu cuspi as palavras, meu olhar cravado no dela. — Isso não é amor, Mia. É doença. Uma obsessão podre, distorcida, que só destrói tudo o que toca.

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