POV: LAUREN
Theodor entrou pela porta mais calado do que o normal. Os ombros um pouco caídos, o olhar perdido, e os fones grandes cobrindo suas orelhas davam a ele uma aparência ainda menor do que seus sete anos. Ele me deu um meio abraço rápido, daqueles sem força, como quem faz por educação ou obrigação — e não por carinho, como costumava fazer —, e seguiu direto para a cozinha, onde sabia que minha mãe estaria. Ultimamente, ele parecia buscar mais o colo dela do que o meu. Era como se os dois estivessem se agarrando um ao outro para respirar.
— Aconteceu alguma coisa na hora de buscá-lo? — Eu perguntei a Kate, sem disfarçar minha preocupação, enquanto observava meu filho desaparecer pelo corredor.
Ela estava inquieta, roía a unha e evitava meu olhar. Um sinal claro de que havia feito algo.
— Eu acho que o Theo é mais atento do que a gente imagina... — ela disse, hesitando. — E talvez ele tenha ouvido parte da conversa que tive com o Henry.
Meu coração apertou de imediato. Virei de frente para ela, cruzando os braços e sentindo uma pontada de ansiedade subir pelo estômago.
— Kate... o que você falou? — Eu perguntei com firmeza, já conhecendo o tipo de coisa que ela era capaz de fazer quando queria me proteger. — Por favor, me diga que não foi confrontar o Henry de novo...
— Alguém tinha que dizer umas verdades àquele CEO arrogante. — Ela respondeu, dando de ombros, mas o sorriso nervoso entregava seu arrependimento. — Talvez eu tenha dito... acidentalmente... que você está pensando em ir embora da cidade.
Levei a mão à testa e esfreguei com força, fechando os olhos por um segundo. Uma onda de frustração me dominou.
— Kate! — Eu explodi, tentando conter a raiva. — Por que você diria isso pra ele? E pior, perto do Theodor? Agora ele deve estar achando que estou prestes a abandoná-lo também...
— Foi sem querer, Lauren... — Kate murmurou, soltando um suspiro pesado. — Eu não aguento mais te ver assim. Toda noite te ouço chorar no quarto ao lado. Sua mãe mal come. Você sorri pra disfarçar, mas o brilho só volta quando o Theo está por perto. E sinceramente... aquele Henry Carter pode usar o melhor terno do mundo, mas está tão destruído quanto você.
As palavras dela me atingiram com força. Não porque estavam erradas, mas porque expunham exatamente o que eu tentava esconder de todos, inclusive de mim mesma. Suspirei, sentindo os olhos arderem, e precisei de um segundo para conseguir responder.
— Eu sei que você quer nos proteger. E eu amo você por isso, Kate, de verdade. — Eu falei com um sorriso pequeno e sincero. — Mas... perto do Theodor?
— Em minha defesa, ele estava de fones! — Ela disse, erguendo as mãos, tentando aliviar o peso da culpa. Depois se aproximou e me puxou para um abraço apertado. Daqueles em que os braços envolvem todo o corpo e silenciosamente dizem “você não está sozinha”. — Me desculpa se fiz merda. É só que... não é justo você ter que passar por mais uma separação. Ainda mais desse jeito.

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