POV: LAUREN
Segurei a maçaneta com força, tentando controlar a tremedeira nos meus dedos. Meu coração batia tão rápido e forte que doía no peito, como se cada batida fosse uma lembrança do que eu tinha perdido... ou do que ainda sentia. Já fazia tempo desde a última vez que vi Henry Carter, e isso não foi por acaso. Eu o evitava. Me escondia como uma covarde porque não sabia como lidar com a bagunça que ele deixava em mim. Me apaixonei por ele de um jeito que nunca achei possível. Fui dele. Inteira. E, mesmo agora, só de pensar em encará-lo, algo dentro de mim se desfazia.
Respirei fundo e, antes que eu pudesse hesitar de novo, abri a porta.
Ele estava ali. Tão real. Tão absurdamente lindo quanto eu lembrava. A mão suspensa no ar, prestes a bater, congelou no meio do movimento. Seus olhos encontraram os meus, intensos, de um azul impossível, como se pudessem atravessar tudo o que eu fingia esconder. O canto dos lábios curvou-se num sorriso leve, carregado de sarcasmo e uma confiança que me desarmava por completo.
Henry sempre soube o poder que tinha. E agora, parado à minha frente com aquele blazer escuro que moldava seus ombros largos e o corpo que eu conhecia bem demais, ele parecia ainda mais imponente. Seu cheiro, aquele perfume amadeirado inconfundível, me envolveu de imediato. Preencheu o ar entre nós e, por um instante, me faltou o ar. Meu corpo reagiu antes da minha mente. Meu coração apertou. Minhas pernas fraquejaram. Minhas memórias gritaram.
— Oi, Lauren — ele disse, a voz baixa e rouca, com uma ironia sutil que me fez estremecer. Ele sabia. Sabia o que causava em mim. Sempre soube.
— Oi… — Minha voz saiu mais suave do que eu queria, frágil demais. Minhas bochechas esquentaram na hora, traindo o turbilhão que eu tentava esconder. Baixei os olhos por um segundo, tentando recuperar o controle que já estava escapando por entre meus dedos. — Eu... eu te enviei uma mensagem.
Me odiei por parecer tão vulnerável. Por ainda me importar. Por ainda sentir. Depois de tudo.
E ele ali, firme, como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse deixado para trás um rastro de dor e saudade mal resolvida.
— Sim, mas já estava aqui quando a mensagem chegou. — Henry respondeu com tranquilidade, deslizando as mãos para dentro dos bolsos do blazer. O movimento era simples, mas nele havia uma segurança calculada. — Como vocês estão?
Ele inclinou sutilmente a cabeça em direção à minha barriga. Meu corpo enrijeceu no mesmo instante. Senti uma dor seca e afiada atravessar meu peito. Como se aquela pergunta, tão casual, tivesse atingido um ponto que eu tentava manter trancado. Mas eu me forcei a manter o rosto neutro, mesmo que por dentro tudo estivesse se partindo.
— Estamos bem. E você? — minha voz saiu contida, suave demais, mas carregada de tensão. Eu nem sabia ao certo por que estava tentando manter as aparências. Talvez fosse medo. Ou orgulho. Ou só o instinto de me proteger dele.
Antes que ele pudesse responder, senti um peso leve se encostar atrás das minhas pernas.
— Tio Henry! — A voz doce de Theodor me arrancou do torpor.
Ele apareceu de repente, com os olhos brilhando de animação e os cabelos um pouco bagunçados. Usava a camiseta do Super-Homem que não queria tirar nem para dormir. Estava tão feliz, tão cheio de vida, completamente alheio à tensão que pairava no ar.

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