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A BABÁ GRÁVIDA DO CEO romance Capítulo 156

POV: LAUREN

A dor que eu sentia agora não era só física. Era um acúmulo de escolhas, silêncios e mágoas. Eu havia estragado tudo. Essa era a verdade que eu lutava contra todas as noites. O que quer que pudéssemos ter sido, eu, Henry, Theo e agora Alice, eu arruinei.

E como se Alice quisesse me lembrar de que estava ali, de que tudo isso também a afetava, veio outro chute. Mais forte. Mais fundo. Uma fisgada me fez perder o ar por um segundo, e levei a mão instintivamente até a lateral da barriga. Fechei os olhos, soltei um gemido baixo, abafado. Quis disfarçar, fingir que era só um incômodo qualquer, mas não consegui.

Quando abri os olhos, Henry já estava em pé.

— Você está bem, Becker? — a voz de Henry mudou, firme, atenta. O toque em meu ombro foi direto, sem hesitação. Quente. Familiar.

Ele me analisava com os olhos treinados, observando cada mínima mudança na minha expressão, o olhar escorregando até a linha da minha barriga, com uma seriedade que me fez prender a respiração.

— Prefere se sentar? — Ele perguntou, e por um momento, parecia esquecer de tudo, de qualquer mágoa, qualquer passado. Era só ele, presente, preocupado, como se ainda importasse. Como se eu ainda fosse dele.

Assenti com a cabeça, tentando esconder o aperto no peito. Inspirei fundo, procurando um pouco de equilíbrio no meio daquele turbilhão interno. O desconforto tinha passado, mas deixou para trás um calor estranho sob a pele, como se o corpo ainda ecoasse o impacto daquele chute e de tudo o que ele significava.

— Sim… não precisa se preocupar, não é nada — Eu murmurei, baixinho. Subi o olhar devagar, encontrando os olhos dele, tão próximos, tão fixos nos meus. Havia uma pergunta não dita estampada ali. Não era só preocupação. Era algo mais.

— Ela anda mais agitada esses dias. Chuta com força — Eu tentei amenizar, forçando um pequeno sorriso que não chegou aos olhos. — Parece que está ensaiando para ser jogadora de futebol.

Tentei brincar. A verdade é que queria rir. Queria tornar aquele momento leve. Mas minha voz saiu fraca demais, quase trêmula. E ele percebeu.

Claro que percebeu.

— Posso? — Henry me surpreendeu, a pergunta veio de repente, baixa, quase sussurrada.

Meus olhos se arregalaram. O tempo parou por um segundo.

Ele apontava para minha barriga.

Congelei. Minhas mãos automaticamente se entrelaçaram na frente do corpo, como um escudo que eu nem sabia que ainda mantinha. Ninguém havia tocado ali nos últimos dias. Nem amigos, nem família. Só Theo, minha mãe e Kate. E mesmo assim, com uma cautela que eu mal sabia explicar.

Minha filha tinha se tornado meu refúgio, minha fronteira, minha resistência. Um espaço sagrado onde eu guardava tudo que ainda doía, tudo que me faltava, tudo que um dia pertenceu a ele, e que eu tentei esquecer.

Antes, era ele quem tocava minha barriga com carinho. Antes, era ele quem falava com ela baixinho à noite. Antes... antes de tudo se partir. De ele partir.

E agora ele estava ali, na minha frente, com aquela voz suave, aquele olhar sério, e a mão suspensa no ar como se pedisse permissão para voltar.

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