POV: HENRY
Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando controlar a respiração. Meu peito subia e descia em um ritmo descompassado, ainda sentindo o gosto do beijo que não deveria ter acontecido. Eu a encarei, e ela me olhava de volta, com olhos vermelhos, úmidos, confusos e cheios de mágoa.
Eu não tinha planejado aquilo. Não tinha ido ali para beijá-la, para tocar nela daquele jeito. Mas bastou um gesto, um suspiro, uma hesitação, e eu me perdi de novo. Como sempre acontecia com ela.
Notei sua agitação. A forma como seus dedos se mexiam inquietos no colo, os olhos evitando os meus, desviando constantemente para Theo. Ela estava desconfortável, à beira de um colapso. Quando ela se levantou do sofá com uma desculpa fraca, dizendo que ia preparar algo, eu soube que era fuga. E dessa vez, eu não ia deixá-la escapar. Eu me levantei também e fui atrás, sentindo uma pressão no peito que não queria admitir que era medo.
Medo de perdê-la. Medo de estar tarde demais.
— Lauren… eu… — Eu comecei, mas ela balançou a cabeça antes mesmo que eu pudesse terminar. As lágrimas já escorriam, silenciosas, amargas.
Aquela cena me desmontava por dentro.
Toquei seu rosto com cuidado, minha mão deslizando com suavidade por sua pele quente e úmida. Meu polegar limpou uma das lágrimas com a delicadeza que eu nem sabia que ainda possuía.
— Eu não queria te fazer chorar. — minha voz saiu baixa, falhada.
Ela fechou os olhos com força e respirou fundo antes de abri-los novamente, encarando-me com uma intensidade que me deixou sem ar. Estava magoada. Ferida. Quebrada. E eu era parte disso.
— E o que você queria, Henry? — Ela perguntou com a voz embargada. — Por que me beijou? Por que quis ficar? Por que está aqui?
Tentei responder, mas as palavras travaram. Eu abri a boca, mas nada coerente saiu. Com ela era sempre assim. Ela me desmontava. Me confundia. Me deixava vulnerável de um jeito que ninguém mais conseguia. E o pior: mesmo depois de tudo, eu ainda queria protegê-la. Eu ainda a queria.
Ela afastou minha mão com delicadeza, como se aquele toque a queimasse. Seus olhos evitaram os meus enquanto ela soltava um suspiro cansado, e seus lábios tremiam, mesmo em silêncio.
— Não podemos mais fazer isso. — Eu disse num sussurro, sem me encarar. — Por favor, Henry... vai embora.
Aquelas palavras me atingiram em cheio. Senti o sangue ferver sob a pele. Não por orgulho ferido, mas por frustração, por desespero. Por saber que a queria mais do que era saudável, e ainda assim... ela me rejeitava como se eu fosse o erro.

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