POV: LAUREN
— O que eu deveria ter feito na noite do nosso encontro... quando tudo deu errado. — Henry respondeu, a voz carregada de intensidade.
Franzi o cenho, confusa, observando enquanto ele abria uma pequena caixinha. Dentro, havia uma aliança com uma pedra azul brilhante que refletia a luz do quarto. Era hipnotizante. Ao lado, um bilhete dobrado com minha caligrafia.
— O que é isso? — Eu exclamei, com um nó na garganta. Minhas mãos tremiam visivelmente enquanto eu as levava até os lábios, em choque.
— Nosso casamento foi forjado por um contrato — ele começou, a voz mais baixa agora, mas firme. — Mas eu quero que seja real, Lauren. Fiz essa aliança especialmente para você. Essas pedras são raras, únicas... como você.
Minhas lágrimas começaram a brotar sem controle, queimando meus olhos. Havia tanto nele que me confundia: o toque provocante, o desejo quase cruel, o domínio, o sarcasmo, o controle..., mas agora ele estava ali, ajoelhado, oferecendo algo que eu nunca imaginei que ele fosse capaz de dar: escolha. Verdade. Sentimento e perdão.
— Pegue o papel — ele pediu. — Leia o que está escrito.
Minhas mãos tremiam quando alcancei o bilhete. Hesitei por alguns segundos, o coração disparado, como se algo dentro de mim soubesse que aquelas palavras mudariam tudo. Abri o papel com cuidado, e li em silêncio, sentindo a garganta fechar conforme as palavras iam entrando, uma a uma, direto no meu peito.
“Seria uma honra ser o pai de Alice e seu verdadeiro marido. Eu as aceito como minhas, para amar e respeitar, proteger, mimar e nunca mais largar pelo resto da minha vida.”
O ar escapou dos meus pulmões em um soluço abafado. Senti as lágrimas escorrerem antes mesmo de perceber que estava chorando.
— Henry… — minha voz saiu embargada, falha, quase um sussurro. — Você… você está falando sério?
Ele me encarou com aquela intensidade que sempre me desmontava, mas havia algo diferente agora. Uma firmeza real. Um peso sincero por trás dos olhos azuis. Sem pressa, ele pegou a aliança da caixinha e segurou minha mão com uma delicadeza que fez meu peito doer ainda mais. Beijou o dorso como se estivesse selando algo sagrado, acariciou meus dedos com calma e, em seguida, deslizou o anel pelo meu dedo. Finalizou com outro beijo, demorado, exatamente sobre o local da aliança.
— Nunca falei tão sério em toda a minha vida. — Ele murmurou, com a voz grave e firme. Então se inclinou e beijou minha barriga, acariciando com a palma aberta, com um carinho que desmontou o pouco controle emocional que ainda me restava. — Eu não consigo te odiar, Lauren. Não consigo me imaginar sem vocês na minha vida. Estou completamente apaixonado por você.

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