POV: LAUREN
Dei um passo para trás, mas ele avançou também, até me prender contra a parede fria do quarto. O contraste do toque quente dele com o contato do gesso atrás de mim me fez arrepiar inteira.
Os olhos dele estavam escuros, intensos, quase selvagens. Luxúria, desejo, paixão, raiva, dor... tudo misturado em um olhar que me atravessava.
— Você me ama? — a pergunta veio seca, direta.
— Henry, isso não importa agora... é loucura... — tentei argumentar, mas minha voz saiu fraca, hesitante.
— Me ama? — ele repetiu, com ainda mais firmeza. O tom era imponente, impossível de ignorar. Senti um tremor percorrer meu corpo. A parede atrás de mim parecia desaparecer diante da presença dele.
Fechei os olhos por um segundo. O nó na garganta apertou ainda mais. Eu não podia mais mentir. Nem pra mim, nem para ele.
— Mais do que imaginei ser capaz de amar um homem... — Eu confessei, com a voz embargada, rouca. As palavras saíram como um sussurro dolorido. — E talvez seja isso que mais me assusta.
Ele não respondeu de imediato. Apenas me olhou, como se estivesse memorizando cada detalhe da minha expressão. Como se quisesse ter certeza de que o que eu dizia era real. Então seu rosto se aproximou do meu. Nossos narizes quase se tocando. Senti sua respiração quente contra minha pele, o cheiro familiar dele me envolvendo.
Eu tremia. De nervoso. De desejo. De medo.
— Então me deixa amar vocês. — ele disse, com voz baixa, mas cheia de convicção. — Deixa eu ser tudo o que vocês precisam. Sem joguinhos, sem passado. Só eu, você... e Alice e Theo.
Minhas pernas ameaçaram ceder. O peso do que ele dizia era esmagador. Real. E intenso demais.
— Eu não estou assumindo o filho de outro homem — Henry declarou, a voz firme e carregada de certeza. — Alice é minha. Assim como você me pertence, Becker.
A forma como ele disse isso, com tanta convicção, me paralisou por um instante. Meu coração bateu mais forte, e antes que eu conseguisse responder, ele deslizou a mão até a base da minha nuca, entrelaçando os dedos nos meus cabelos. Puxou levemente. Gemei com o gesto firme, sentindo um arrepio percorrer minha espinha. Seu beijo veio logo depois, mais bruto, mais intenso, como se ele estivesse marcando território. Eu cedi sem resistência, afundando nele.
Ele se afastou só o suficiente para sorrir de canto, aquele sorriso malicioso que sempre me deixava desarmada.
— Não precisa ter medo de estar comigo, Lauren. Eu não vou a lugar nenhum. E não vou permitir que você saia da minha vida. Nunca mais.

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