POV: HENRY
O calor da tarde tornava o escritório um ambiente insuportável. O ar-condicionado zumbia baixo, mas não parecia o suficiente para afastar a sensação incômoda que me rondava.
Meus olhos estavam presos na pilha de contratos sobre a mesa, mas minha concentração estava longe. O riso infantil de Theo invadiu o ambiente, leve e despreocupado, contrastando com minha mente mergulhada em números e prazos.
Suspirei, apertando a ponte do nariz.
— Que diabos está acontecendo lá fora? — Eu murmurei para mim mesmo.
Deixei a caneta de lado e levantei o olhar para a janela panorâmica. Lá embaixo, no pátio da casa, Theodor corria ao redor da piscina, segurando uma arminha d’água e disparando jatos contra Lauren, que tentava escapar.
— Você nunca vai me acertar, garotinho! — Ela provocava, rindo.
Theo riu mais alto, determinado a provar o contrário. Meus olhos, no entanto, não ficaram no meu sobrinho.
Lauren usava um maiô preto colado ao corpo. O tecido molhado aderiu às suas curvas de um jeito que fez minha mandíbula travar, meu olhar percorreu seu corpo, descendo pelas pernas bem torneadas até voltar à sua cintura, onde ela segurava a arminha d’água como se estivesse se preparando para um combate.
Meu corpo se aqueceu, a visão me incomodou e mexeu comigo mais do que deveria, soltei um suspiro irritado e me virei tentando voltar a encarar os contratos.
Mas então, uma nova gargalhada de Theo chamou minha atenção. Ele se jogou na piscina, provocando um grande respingo. Lauren gritou e pulou logo atrás, rindo como se não houvesse nada mais importante no mundo.
Isso estava me tirando do sério, fechei os olhos por um breve momento, tentando ignorar a cena. Mas não consegui!
Levantei-me da cadeira de uma vez.
— Dane-se o trabalho. — Eu decidi fazer algo que não faço há anos: me permitiria um pouco de diversão.
Passei rapidamente no quarto para vestir a roupa de banho e segui em direção a piscina, Lauren e Theodor estavam tão entretidos em suas brincadeiras que não me viram chegar, passei as mãos na água molhando os braços, pernas e cabelos, a água fria contra minha pele foi revigorante, Theo se virou arregalando os olhos ao me ver na piscina.
— Tio Henry?! — Ele indagou surpreso abaixando a arma.
Lauren, que estava de costas, virou-se devagar, surpresa, e foi então que vi. O olhar.
Ela me observou por inteiro, devagar, como se estivesse analisando cada detalhe. Seu olhar deslizou pelo meu peito nu, desceu pelo abdômen e depois para a cintura baixa da minha sunga, mordendo os lábios de forma instintiva.
Um sorriso satisfeito surgiu no canto da minha boca.
— Já terminou? — Eu perguntei, a voz arrastada em provocação.
Ela piscou rapidamente, claramente surpresa com minha presença.
— O quê? — Becker ergueu os olhos fixando nos meus.
— De me apreciar. — Eu umedeci os lábios enquanto ela seguia o gesto.
Lauren ficou visivelmente sem graça.
— Eu… Você… — Ela tentou formular uma resposta, mas desistiu.
Theodor começou a rir.
— Fada, você está muito vermelha! — Theo apontou gargalhando em sua inocência.
— Eu não estou! — Ela respondeu rapidamente, evitando olhar para mim.
Soltei uma risada baixa.
— Você deveria ver sua expressão agora, Sra. Becker. — Eu comentei, empurrando os cabelos molhados para trás.
Ela cruzou os braços e respirou fundo.
— Você não tem limites, tem? — O tom dela ganhou uma nota mais ríspida.
— Não quando estou me divertindo tanto. — Eu retruquei afiado.
— Diversão? Você ao menos sabe o que é isto Sr. Carter? — Lauren retrucou, provocativa.
Theodor, animado, resolveu intervir.
— A fada sempre brinca comigo! — Ele comentou, hesitando um pouco. — Você nunca faz isso, tio.

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