POV: LAUREN
Senti o olhar de Henry Carter fixo em mim enquanto saía da piscina com Theo nos braços. A brisa fria arrepiava minha pele, mas não era só isso. Meu corpo estava molhado, o maiô colado demais, e a consciência de estar exposta sob aquele olhar intenso me incomodava.
Respirei fundo, tentando ignorar a sensação estranha.
"Não comece com isso, Lauren." Me repreendi mentalmente, focando no que realmente importava, levar Theo para dentro antes que pegasse um resfriado.
O pequeno tremia levemente, mas ainda sorria, completamente alheio ao jeito que Henry me afetava.
Depois do banho de Theo e de mais uma sessão de brincadeiras com toalhas e espuma, o resto da tarde passou sem nenhum sinal de Carter. Ele parecia ter evaporado, e eu deveria me sentir aliviada. Mas, por alguma razão, sua ausência apenas tornava a lembrança do seu olhar ainda mais presente.
Para distrair minha mente, decidi ensinar uma receita de biscoitos a Theo. Ele adorou a ideia. Fizemos uma bagunça enorme na cozinha, espalhando farinha por toda parte, cortando a massa em formatos estranhos e rindo das nossas tentativas falhas de fazer algo apresentável.
— Fada? — Theo me chamou, com um pouco de açúcar na ponta do nariz, os olhos brilhando de felicidade.
— Diga, meu pequeno açucarado? — Eu ri, limpando a ponta do nariz de Theo com um pano.
Ele hesitou, torcendo os dedos nervosamente.
— Eu... — Theo evitou os meus olhos por um momento. — Eu gosto muito de você.
Sorri, sentindo um calor reconfortante crescer no peito.
— Eu também gosto muito de você, Theo. — O observei com atenção. — Mas isso não é tudo, é? Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe? Prometo que manteremos o sigilo da Fada e do Theo, sob juramento absoluto.
— Isso não existe, Fada. — Ele riu, mas logo ficou sério.
Eu esperei, percebendo que algo o incomodava.
— Eu gostaria de te promover também. — Theo prosseguiu.
Franzi a testa, intrigada.
— Me promover? — Eu cruzei os braços, tentando acompanhar o raciocínio. — Vou acabar mal-acostumada com tantas promoções assim.
Theo respirou fundo e, com o rosto avermelhado e as bochechas infladas de vergonha, ergueu o queixo decidido.
— Eu quero que você seja minha mãe.
O ar pareceu sair dos meus pulmões.
Meus lábios se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. O impacto de sua declaração foi imediato, como se algo dentro de mim se quebrasse e se reconstruísse ao mesmo tempo. Meus olhos arderam, e eu engoli em seco, sem saber o que dizer.
Eu amava esse garotinho. Isso era um fato. Mas nada poderia ter me preparado para ouvir algo assim.
— Theo… eu… — Eu gaguejei, incapaz de encontrar palavras.
Antes que pudesse tentar formular uma resposta, uma voz grave e firme cortou o momento.
— Theodor, não se pode comprar uma mãe. — A presença de Henry dominou a cozinha no instante em que ele entrou. Meu coração deu um salto.
Ele caminhou até nós com passos lentos e controlados, sua expressão era séria, mas algo em seus olhos me dizia que aquela conversa o afetava mais do que deixaria transparecer.
Theo se encolheu ligeiramente, mas não recuou.
Eu também não.
Porque, naquele instante, percebi que Henry Carter não era o único que esse garotinho queria em sua vida. E, talvez, eu também estivesse começando a querer algo que jamais poderia ter.
— Por que não, tio Henry? — Theo cruzou os braços, assumindo um tom determinado. — Eu posso pagar mais para ela.

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