POV: LAUREN
O homem ainda tremia, a respiração pesada e os olhos selvagens fixos em mim. O cano da arma oscilava entre Henry e eu, mas Carter manteve a postura firme, inabalável.
— Não, com certeza não é justo. — Henry afirmou com calma, dando mais um passo à frente, sem hesitar, sem se importar com a arma apontada para sua cabeça. — Mas está cometendo a mesma injustiça com Lauren. As decisões foram do pai dela, não dela.
O homem rosnou, a mandíbula travada de fúria.
— Aquele desgraçado foi covarde! — Ele cuspiu as palavras, seu rosto se contorcendo de ódio. — Preferiu a morte a enfrentar as consequências do que fez! Mas alguém vai pagar por isso.
Senti meu corpo paralisar quando ele voltou a arma para mim, mirando por cima do ombro de Henry.
— Eu posso ir para o inferno por isso, mas vou levar a princesinha do magnata comigo! — Ele berrou, o som metálico da arma sendo destravada ecoando pelo salão.
Meu coração disparou, um nó se formando em minha garganta. Meus olhos se arregalaram ao ver o dedo dele se firmando no gatilho.
Mas antes que eu pudesse reagir, Henry deu um passo decisivo para o lado, bloqueando completamente minha visão do homem.
— E eu posso te devolver a sua vida. — Ele declarou com firmeza, a voz controlada e calculada, como se não houvesse uma arma a poucos centímetros de sua cabeça. — Ninguém precisa morrer aqui hoje.
Sem tirar os olhos do homem, Henry deslizou a mão para dentro do paletó, tirando um talão de cheques. Puxou a tampa da caneta com os dentes e rabiscou rapidamente um número no papel.
Henry arrancou a folha e a estendeu.
— Isso deve compensar suas perdas.
O homem hesitou, os olhos passando do cheque para Henry. O peito subia e descia de forma frenética, como se estivesse travando uma batalha interna entre sua raiva e a promessa de um recomeço.
Seus dedos tremiam ao abaixar lentamente a arma, o olhar fixo no valor exorbitante no papel.
Por um momento, ele parecia ponderar sobre o acordo. Mas então, algo mudou em sua expressão.
Ele levantou o rosto, os olhos fervendo de ódio e humilhação.
— Você acha que dinheiro vai apagar tudo o que eu perdi?! — Ele rosnou, os dedos tremendo no gatilho. — Minha casa, meu trabalho, minha família! Minha esposa me deixou levando meus filhos porque eu não tinha mais como sustentá-los! Você tem ideia do que é assistir tudo desmoronar sem poder fazer nada?!
A arma voltou para mim, agora com ainda mais raiva. Minha pele arrepiou, meu corpo congelou.
— Acha que pode resolver tudo assinando um maldito cheque?! — Ele gritou, sua voz carregada de frustração. — Enquanto essa vadia continua vivendo bem, sem sofrer nenhuma consequência?!
— Lauren não tem culpa das escolhas do pai. — Henry disse, a voz firme, autoritária, sem hesitar. — Se vai descontar sua raiva, faça isso em mim.
Ele se moveu mais uma vez, ficando ainda mais na minha frente, protegendo meu corpo com o dele.
— Mas se quer mesmo vingança, aceite o dinheiro e reconstrua a sua vida. — Ele continuou estendendo o cheque. — Ou então atire e destrua qualquer chance de mudar essa situação.
O homem vacilou. Sua respiração ficou mais pesada, seus olhos passavam entre mim, Henry e o cheque. Seus dedos tremiam no gatilho.

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