POV: HENRY
Desde o beijo, Lauren não apareceu mais no meu quarto. Eu sabia que ela já havia recebido alta porque Theodor me contou quando chegou com Lucian para me visitar.
— Você assustou sua babá? — Lucian provocou com um sorriso divertido, se recostando na cadeira ao lado da cama.
Eu bufei, irritado com a ausência de Lauren.
— Foi ela quem me beijou. — Eu respondi secamente.
Lucian arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.
— Ah, então agora as mulheres fogem depois de te beijar? Interessante. — Ele riu, balançando a cabeça. — Deve ser porque você beija mal.
Lancei um olhar afiado em sua direção.
— Eu não beijo mal. — Eu respondi com mau-humor.
— Se tem tanta certeza, por que ela fugiu? — Lucian provocou fingindo conter o riso preso na garganta.
Minha mandíbula travou. Eu sabia que Lucian estava apenas se divertindo às minhas custas, mas a verdade era que essa situação me incomodava mais do que deveria.
— Lauren ainda está se recuperando. — Theo interveio, segurando um estetoscópio de brinquedo contra meu peito. Ele usava um jaleco branco infantil e um kit médico de brinquedo, claramente algo que Lauren havia comprado para ele.
— Tio Henry está bem do coração, doutor? — Lucian debochou, olhando para Theo, que franziu a testa concentrado.
— Está batendo muito forte. — Theo disse sério, inclinando a cabeça. — Mas acho que é porque ele sente falta da fada.
Engoli em seco, desviando o olhar.
— Theodor, concentre-se no exame. — Eu falei apressado.
— Tio Henry gosta da fada. — Ele insistiu, dando de ombros. — E a fada gosta do tio Henry.
— Olha só, parece que temos um especialista em romance aqui. — Lucian zombou.
— Theo, vá brincar lá fora. — Eu cortei, ignorando Lucian. — E não se preocupe, eu estou bem.
— Tio Henry, respira fundo e solta devagar. — Theo insistiu pela milésima vez, ignorando completamente meu olhar impaciente. — Parece que está bem. Agora deixa eu ver os pontos.
— Theodor, você já viu duas vezes. — Eu bufei, me remexendo na cama. — Não mudou nada desde a última vez que checou.
Ele fez uma careta, claramente descontente com minha resposta, mas manteve a atenção em mim.
— Lauren te disse alguma coisa? — Eu indaguei, tentando parecer casual.
Lucian soltou uma risada baixa, cruzando os braços.
— Sério, Henry? — Lucian pirraçou. — Vai usar seu sobrinho como informante? Isso é golpe baixo até para você.
Lancei um olhar impaciente.
— Lucian, eu não te pago para ficar aqui me enchendo o saco.
Peguei a garrafa de água ao meu lado e joguei na direção dele, mas o movimento fez um gemido escapar dos meus lábios quando a dor no abdômen me atingiu.
— Droga, isso ainda dói.
— Se ainda sente dor, deveria parar de se estressar por coisas que não pode controlar. — Lucian zombou, desviando da garrafa.
Antes que eu pudesse responder, Theo puxou minha mão com força, seu olhar preocupado fixo em mim.
— Tio, quando você vai voltar para casa? — Ele me olhou com os olhos brilhantes.
A voz dele saiu baixa, carregada de um receio que me atingiu de imediato. Desde o tiro, Theo vinha me visitar todos os dias. Ele estava mais próximo, fazia questão de me cuidar e ficar por perto. Era nítido seu medo de me perder.

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