POV: HENRY
Isso não fazia parte do plano.
Saí do banho sentindo-me renovado, mas ainda frustrado com meus próprios pensamentos. Parei em frente ao espelho e deslizei os dedos pela lateral do ferimento no abdômen.
Os pontos estavam bem fechados.
— Poderia ter sido pior. — Eu murmurei, soltando um longo suspiro.
A verdade era que eu quase morri naquela noite.
E o que mais me incomodava era o fato de que o medo que senti não foi por mim, mas por ela.
A situação estava saindo do controle. Quantos outros clientes lesados pelo pai de Lauren poderiam aparecer exigindo vingança?
Instruí Lucian a entrar em contato com o banco e investigar a fundo a situação da empresa Becker, incluindo todos os débitos. A resposta veio rápido.
— O sistema da empresa foi hackeado. — Lucian informou, a expressão séria. — O dinheiro foi desviado. Seu pai não apenas sofreu um golpe financeiro, como também teve informações confidenciais vazadas.
Eu franzi o cenho, absorvendo aquilo.
— Isso não foi um ataque aleatório. — Eu concluir analítico.
Lucian assentiu.
— Veio de dentro. Alguém de confiança sabia exatamente o que estava fazendo. — Ele cruzou os braços. — Não foi só uma falência... alguém queria derrubar o império dos Beckers.
Pisquei lentamente, refletindo sobre aquilo.
— Mas quem? — Eu ponderei. — E, principalmente, por quê?
Massageei as têmporas, sentindo a tensão pesar sobre mim. Peguei a toalha e a enrolei na cintura antes de sair do banheiro.
Ao entrar no quarto, parei ao ver Lauren mexendo na cama, procurando algo.
Ela ainda não tinha notado minha presença.
Cruzei os braços, observando. Quando finalmente me percebeu, congelou.
Seus olhos desceram lentamente pelo meu corpo ainda úmido, percorrendo meu peitoral até a toalha. Seus lábios se entreabriram levemente, e a cor subiu por suas bochechas.
Lauren rapidamente desviou o olhar, mas seus olhos pararam na ferida em meu abdômen. Um brilho de culpa passou por seu rosto.
Me aproximei, parando diante dela.
— Virou um costume invadir meu quarto para me ver seminu, Sra. Becker? — Minha voz saiu carregada de provocação enquanto observava o jeito envergonhado com que ela desviava o olhar.
Lauren estremeceu, os olhos arregalados.
— Sr. Carter, eu não sabia que já havia recebido alta. — Ela tentou se explicar, mantendo a postura rígida. — Desde o acidente, Theodor tem insistido em dormir aqui. Ele não queria ficar sozinho… Então…
Ela hesitou, desviando o olhar para o chão, claramente desconfortável.
Seus dedos se entrelaçavam nervosos, seu corpo balançava sutilmente, como se estivesse inquieta.
— Desculpe, eu só vim pegar meu carregador. — Becker passou a mão pelos cabelos, uma tentativa falha de se recompor. — Achei que tinha deixado ao lado da cama, mas não o encontrei.
Ela fez menção de sair, mas antes que pudesse dar um passo, fechei a distância entre nós e segurei seu braço suavemente.
— Pretende ficar fugindo de mim até quando? — Minha voz saiu baixa, rouca.
Ela prendeu a respiração, hesitante.
— Eu não estou fugindo. — Lauren respondeu rapidamente.
Inclinei a cabeça levemente, sem soltar seu braço.
— Não? Então por que mal consegue me encarar? — Eu disse com notas de diversão na voz.
Lauren umedeceu os lábios, e seu olhar, mesmo relutante, encontrou o meu.
— Porque... — Ela inspirou fundo, tentando manter a compostura. — Porque você me deixa nervosa.
Um sorriso de canto surgiu em meus lábios.
— Eu gosto disso. — Eu provoquei.
Ela franziu o cenho.
— Você gosta de me ver desconfortável? — Lauren franziu o cenho.
— Eu gosto de te ver reagir a mim. — Me aproximei um pouco mais, percebendo o rubor subir em seu rosto.

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