POV: HENRY
Lauren mastigou devagar, me estudando com aquele olhar desconfiado que ela sempre me lançava quando eu me mostrava mais atencioso do que deveria.
— Se o médico disse que você precisa descansar, descanse. — Eu mantive minha expressão firme, sem dar espaço para argumentos. — As empregadas podem cuidar de Theodor, já fizeram isso antes.
Ela me olhou por alguns segundos, e então algo brilhou em seus olhos. Um desafio. Um resquício de emoção que eu ainda não conseguia decifrar completamente.
— Você sempre tem que comandar tudo? — Lauren suspirou hesitante, quase frustrado.
Sorri de canto, gostando da provocação sutil por trás da pergunta.
— Eu gosto quando as coisas seguem o meu ritmo. — Eu respondi rouco com sinceridade.
Lauren desviou o olhar por um breve instante, mexendo as mãos sobre o próprio colo, claramente ponderando o que diria em seguida.
— Mas você… — Eu continuei inclinando-me levemente para frente. — Você me desafia o tempo todo. Acho isso… intrigante.
Ela engoliu em seco, mexendo-se na cama, como se tentasse encontrar uma posição que a fizesse parecer mais no controle.
— Henry, essas suas provocações… — Ela hesitou, os dedos apertando o tecido do próprio vestido. — Onde acha que isso vai dar?
Nossos olhares se encontraram, e dessa vez, não havia mais espaço para brincadeiras.
Sustentei o contato visual, permitindo que minha resposta fosse sincera, mesmo que eu não tivesse todas as respostas.
— Hoje? Espero que o resultado seja minha esposa alimentada e descansada ao meu lado. — Eu confessei. — Mesmo sendo apenas por contrato, quero te ver bem.
Ela piscou, como se não esperasse essa resposta.
Mas nem eu esperava.
O que era essa necessidade de provocá-la? De vê-la ruborizada, irritada, rendida?
De tê-la ao meu lado… simplesmente por ter?
Ainda não sabia a resposta.
O silêncio entre nós se manteve enquanto finalizávamos a refeição.
Ajeitei-me na cama, sentindo o corpo relaxar contra os travesseiros. Então, ergui o lençol ao meu lado, um convite silencioso.
Lauren hesitou, seus olhos me estudaram com atenção, avaliando se aquilo era uma boa ideia. Mas, depois de um instante, ela cedeu.
Deslizou para o colchão ao meu lado, deitando-se de frente para mim.
Cobri seu corpo e me aproximei, reduzindo ainda mais a distância entre nós. Ficamos cara a cara, tão perto que nossos narizes quase se tocaram.
— Tenho medo de te machucar dormindo. — Sua voz saiu baixa, os olhos brilhando na penumbra do quarto.
— Não vai. — Eu murmurei, roçando a ponta do meu nariz no dela.
Ela prendeu a respiração por um segundo, mas não recuou.
— Descanse. — Eu murmurei de volta.
Lauren fechou os olhos lentamente, como se, pela primeira vez em dias, permitisse que o cansaço tomasse conta.
— Obrigada. — Ela sussurrou. — Por me proteger e cuidar de mim.
Segurei o impulso de responder de imediato.
Ao invés disso, deslizei os dedos entre seus fios, sentindo a textura macia do seu cabelo sob minha pele. Afaguei seus cabelos, deixando meus dedos percorrerem sua nuca, massageando suavemente.

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