POV: LAUREN
Levei um momento para processar tudo. A pergunta dele me pegou de surpresa, e meus olhos se encheram de lágrimas. Medo, dor e receios se acumulavam no meu peito.
— O meu bebê? — Eu balbuciei com os lábios trêmulos.
Henry suspirou, se aproximando, secando a lágrima que rolava pelo meu rosto com um toque firme e cuidadoso.
— O bebê está bem e seguro, protegido aqui dentro. — Ele tocou minha barriga com a outra mão, me pegando de surpresa. Seus dedos deslizaram suavemente, acariciando a pele como se quisesse sentir cada batida da nova vida crescendo ali. — O deslocamento aumentou o sangramento. Lauren, por que não me contou que não estava bem? Por que não me disse que precisava descansar?
Minha garganta se fechou. O peso das emoções era esmagador.
— Eu... — A minha voz falhou, meu corpo tremendo. O choro escapou descontrolado, soluços presos na minha garganta. Henry não hesitou. Se aproximou ainda mais, seu corpo quente me envolvendo, me puxando para seus braços. Sua mão pressionou minha cabeça contra seu peito, enquanto sua outra mão afagava meus cabelos com delicadeza.
Meu coração batia acelerado, o medo me consumia.
— Eu tive medo. — Eu confessei, minha voz quebrando no meio da frase.
Ele apertou os braços ao meu redor, me mantendo segura contra ele.
— Do que, Becker? — A voz dele saiu baixa, mas intensa contra meus cabelos. — O que pensou que eu faria com você?
Fechei os olhos, respirando seu cheiro, buscando forças para responder. Mas a única coisa que sentia naquele momento era o calor de seus braços, me segurando como se nunca fosse me deixar partir.
O nó na minha garganta se apertou ainda mais enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto.
— Achei que me demitiria, que eu teria uma multa e mais uma conta impossível de pagar. — Minha voz saiu trêmula, e um soluço escapou. — Que me proibiria de ver o Theodor… tantas coisas passaram pela minha cabeça.
Henry não desviou o olhar, sua expressão se fechou em algo sério e intenso. Ele ergueu minha cabeça segurando meu queixo com firmeza, seus dedos deslizando pelo meu rosto, limpando minhas lágrimas com um toque lento e deliberado.
— Lauren, que tipo de homem acha que sou? — Ele sussurrou, mas carregava algo que me fez estremecer. — Eu te passei essa impressão?
Mordi o lábio, sentindo a tensão crescer entre nós. O contato dos dedos dele fez um arrepio percorrer minha pele.
— Henry... — Eu murmurei, tentando desviar o olhar, mas ele acompanhou meu movimento, mantendo a proximidade.
Seu dedo deslizou até meu queixo, desfazendo o nó tenso que eu havia criado com os dentes. Eu tentei me afastar, buscar qualquer fuga daquela situação que só me confundia mais, mas quando tentei me sentar, senti a pressão firme da sua mão em minha nuca, me impedindo de me afastar. Meus olhos se arregalaram com a surpresa do toque. Ele me fitava de perto, seus olhos explorando cada mínima reação minha.

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