POV: LAUREN
Seu tom carregava peso, responsabilidade, e talvez um resquício de incerteza.
— É o certo a fazermos. — Ele continuou agora olhando diretamente para mim. — Seguir com o casamento e fazer isso dar certo.
Balancei a cabeça, sem acreditar no que ele estava dizendo.
— Você acha que é... — Eu comecei a rebater, mas uma batida suave na porta interrompeu o que eu ia dizer.
Henry se levantou rapidamente, ajustando minha posição na cama com cuidado antes que o médico entrasse acompanhado de uma enfermeira e um aparelho médico.
A conversa não tinha terminado.
Mas naquele momento, a tensão entre nós parecia ser apenas uma fração do que ainda estava por vir.
— Sra. Carter, que bom que despertou. Como se sente? — O médico perguntou enquanto realizava uma série de avaliações.
Eu abri a boca para corrigi-lo sobre o sobrenome, mas antes que pudesse falar, senti a mão quente de Henry segurar a minha, entrelaçando nossos dedos de forma firme e decidida. Meu olhar encontrou o dele, mas ele apenas virou-se para o médico, assentindo.
— Por favor. — Henry respondeu, sua voz carregada de ansiedade e expectativa.
Meu coração disparou. Eu não sabia como me sentir com a maneira como ele tomava para si um papel que não era dele, e estava aceitando tão naturalmente.
— Sra. Carter, sentirá um leve frio contra a pele e uma leve pressão do aparelho. — O médico explicou, espalhando o gel sobre minha barriga e deslizando o transdutor de ultrassom até encontrar a imagem que tanto esperávamos.
A tela se iluminou com a pequena figura em formação. O coração acelerado preencheu o quarto com um som rítmico e constante. Meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.
— Olha só, aqui está a cabeça. — O médico apontou para a imagem. — Tem um narizinho imponente como o do pai.
Senti uma mistura intensa de culpa e alívio. Meu pequeno estava ali, forte, sobrevivente, apesar de tudo que eu havia feito para negligenciar minha própria saúde. O peso das minhas escolhas caiu sobre mim, e mais lágrimas deslizaram pelo meu rosto.
Virei-me para Henry. Seus olhos estavam fixos na tela, e, pela primeira vez, vi uma emoção crua e verdadeira transparecer em sua expressão. Seus olhos brilhavam, e uma única lágrima solitária escorreu pelo canto de seu rosto.
— Ele é lindo. — Henry sussurrou, sua voz falhando levemente, tomada pela emoção.
Mordi a boca por dentro, incapaz de interromper aquele momento. O homem que eu acreditava ser frio e distante estava ali, completamente entregue à visão do meu bebê.
Ele estava mesmo feliz por ver o meu bebê?
Henry apertou levemente minha mão, seu polegar deslizando sobre minha pele em um carinho inconsciente. Eu não sabia o que dizer, não sabia como reagir àquela cena. Ver Henry assim, tão vulnerável, mexia comigo de uma maneira inesperada.
— O coração está forte. — O médico continuou ajustando o aparelho. — O bebê está crescendo bem, apesar do susto.
— Isso significa que está tudo bem com meu filho? — Eu perguntei, minha voz saindo hesitante.

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