POV: HENRY
Por algum motivo, Lauren parecia nervosa com aquela pergunta. Seu corpo ficou rígido, os olhos desviaram para o lado e sua respiração vacilou. Algo a incomodava, mas ela não dizia.
— Theodor, Lauren ainda está cansada. — Minha voz saiu firme, chamando sua atenção. — Ela passou por um grande susto e precisa repousar. Isso é tudo muito novo para todos nós.
Theo abaixou um pouco os ombros, mas sua expressão não perdeu a doçura.
— Fada… — Ele a chamou baixinho, mexendo os dedinhos nervosos. — Você não quer que seu bebê seja meu irmão? Por isso não quer responder?
Lauren arregalou os olhos, como se a pergunta a tivesse atingido em cheio. Seu peito subiu e desceu rapidamente, e seus olhos marejaram.
— Theo, não! — Sua voz saiu aflita. — Você será o irmão mais incrível do mundo. Seria uma honra ter você como irmão do meu pequeno… É só que…
Ela engoliu em seco, procurando palavras que nunca saíam.
Theo se aproximou, determinado.
— Eu prometo que vou brincar muito com ele, Fada. Assim, você pode descansar. — Ele abriu um sorriso inocente, os olhos cheios de esperança.
Lauren soluçou baixinho e o puxou para seus braços, enterrando o rosto nos cabelos dele. Sua mão tremia enquanto acariciava as costas do menino, e ela começou a distribuir beijos carinhosos no topo de sua cabeça e bochechas.
— Ei…
— Você é um garoto incrível, Theo. Obrigada por isso. — A voz dela estava embargada, carregada de uma emoção que ela tentava esconder. — Obrigada por aceitá-lo tão bem.
Theo segurou seu rosto pequenino entre as mãos e sorriu.
— Você é minha mãe agora, Fada. — Ele tinha os olhos brilhantes. — Vou amar esse bebê como eu amo você.
O corpo de Lauren estremeceu. Seus olhos se arregalaram e, antes que ela pudesse controlar, as lágrimas rolaram por seu rosto.
— Eu te deixei triste? — Theo perguntou preocupado, franzindo o cenho.
Ela balançou a cabeça rapidamente, apertando-o mais contra si.
— Não, meu amor… Você me deixou muito feliz. — Becker fungou, afagando os cabelos de Theo. — Eu também te amo.
Eles ficaram abraçados por um tempo, e algo se aqueceu dentro de mim. A cena diante dos meus olhos parecia tão certa que, por um breve momento, pude visualizar um futuro que nunca me permiti imaginar. Lauren segurando nosso filho, Theodor correndo ao redor dela… Essa mulher sempre despertou algo em mim. Desde o lago, não… desde a faculdade. Era um sentimento intenso, diferente de desejo. Algo que eu não sabia nomear.
Balancei a cabeça, voltando à realidade.
— É difícil competir com isso. — Eu cocei os cabelos, atraindo a atenção dos dois. — Venha, Theo. Você a viu, agora vamos deixá-la descansar.
— Mas por que ela não pode ir para casa com a gente? — Theo protestou, cruzando os braços. — Eu não gosto de hospitais.
— Olha, eu também não. — Lauren sorriu de canto. — Mas queremos que este bebê fique seguro e bem, então preciso ficar aqui por enquanto. Theo, você pode fazer algo por mim?
— O quê? — Ele olhou curioso para ela.
— Quero que cuide do seu tio até eu receber alta. Você pode fazer isso por mim?
— Pode contar comigo. — Ele sorriu travesso, lançando um olhar direto para mim. — O tio vai se comportar.

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