POV: LAUREN
— Não gosto de ter minhas palavras usadas contra mim. — Ele murmurou, o tom carregado de ironia. — Mas devo admitir, foi um excelente argumento.
Revirei os olhos, rindo baixo.
— Não seja convencido.
Ele apenas sorriu, satisfeito, enquanto eu voltava a me recostar contra o travesseiro, olhando para o teto. Mas minha mente estava longe.
A verdade pesava sobre meus ombros.
Eu precisava contar antes que as coisas fugissem ainda mais do controle.
Engoli em seco, sentindo a ansiedade crescer. Respirei fundo antes de me remexer na cama, tentando encontrar as palavras certas.
— Henry, preciso te contar uma coisa. — Minha voz saiu hesitante, e ele se virou para mim com paciência, esperando que eu continuasse.
Minhas mãos estavam frias, meu coração batia forte contra o peito. Era agora ou nunca.
— Minha gravidez… digo, o meu bebê, não é…
Antes que eu pudesse terminar, uma voz desconhecida rompeu o momento, carregado de ironia e deboche.
— Ora, ora, achei que meus olhos estavam me pregando uma peça quando vi a silhueta de Henry Carter neste hospital. — Aquela voz familiar.
Meu corpo enrijeceu no mesmo instante.
Um homem encostado no batente da porta nos encarava com um sorriso presunçoso. Ele cruzou os braços, seu olhar malicioso vagando entre Henry e eu como se se divertisse com a cena.
— Não é que é verdade? Olha só que belo casal.
Henry ficou rígido. Seu maxilar tensionou, e seus olhos se tornaram duas fendas estreitas e perigosas.
— James. — Ele cuspiu o nome com puro desprezo.
Meu olhar saltou entre os dois, sentindo a tensão no ar aumentar.
— O que faz aqui? — Henry perguntou, sua voz gélida.
James deu de ombros, como se fosse apenas um espectador casual, embora seu sorriso carregasse puro veneno.
— Você sabe como meus pais são… — Ele revirou os olhos entediado. — Sempre dispostos a manter uma boa imagem com doações. Vim fazer minha parte.
Eu observei Henry estreitar os olhos, sua postura rígida como se estivesse pronto para atacar.
— Mas devo dizer… — James continuou inclinando-se ligeiramente para frente, com um sorriso carregado de escárnio. — Você realmente se superou dessa vez, Carter. Que bela jogada…
Meu estômago se revirou. Algo naquele tom me fez querer sair daquela cama e arrancar a satisfação de seu rosto.
— Do que diabos você está falando? — Henry rosnou, sua voz carregada de ameaça.
James riu baixo, deslizando os olhos lentamente para mim antes de voltar para Henry.
— Você é mesmo um homem esperto. — James continuou sua provocação. — Fez valer cada centavo que gastou com sua babá e, no final, conseguiu exatamente o que queria… Levá-la para a sua cama.
Meu corpo inteiro congelou.
Meu coração disparou, e a raiva queimou em meu peito como fogo puro.
— O que você está insinuando? — Minha voz saiu trêmula, mas cheia de indignação.
James sorriu como se já soubesse que estava conseguindo exatamente o que queria: provocar.
— Ah, Lauren, vamos lá… — Ele ergueu as mãos em um gesto teatral. — Você acha mesmo que alguém como Carter aqui se casaria com você por um motivo nobre? Vamos ser realistas.
Henry se moveu tão rápido que nem percebi quando ele já estava de pé, o olhar sombrio e letal.
— Escolha suas próximas palavras com cuidado, James. — Carter alertou, sua voz baixa e carregada de uma ameaça clara.
Mas James apenas riu, como se estivesse se divertindo com aquilo.

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