Eu ainda tentava entender como tudo aquilo aconteceu, nunca tinha visto uma bruxa conjurar um elemento sem professar um feitiço, muito menos tantos elementos de uma só vez.
Olhando para ela a minha frente, ela parecia tão indefesa, inofensiva até, não parecia a bruxa sem controle, com os olhos vermelhos reluzentes, enquanto fazia o chão tremer e o fogo e o vento destruir tudo a nossa volta.
— Sua mãe preferiu esconder de você tudo isso, ela escolheu dizer que você era uma conjuradora do fogo. — Blanca falava, tentando manter a calma depois de ver um de seus amigos morrer.
— Há algo de errado em toda essa história, algo que não se encaixava. — a interrompi. — Nunca ouvi falar de uma bruxa que conseguia conjurar mais de um elemento, se o que meu irmão diz é verdade, e os ancestrais dela estão contatando ela, algo nesse sonho despertou os poderes dela. Algo que estava lá quando ela nasceu.
— Só havíamos nós lá... — Agnes tentou rebater, mas eu não ia acreditar mem mais nenhuma palavra que saísse de sua boca.
— Não havia só vocês lá! — rosnei colocando um ponto final. — E que porra é essa de a caçada logo começará?
Todos ficaram em silêncio, se elas sabiam de algo se negavam a dizer, ou não sabiam e isso justificava o medo nos olhos delas.
— Alice está desacordada por minha causa, Agnes tem uma queimadura nas mãos por minha culpa e aquele homem foi morto pelo menos motivo. — Bri disse com a voz baixa e ainda encarando suas mãos, mas então ela ergueu a cabeça finalmente e encarou a todos. — Isso poderia ter sido evitado.
— A caçada é como chamamos a caça as bruxas. — o homem que estava na última cadeira se pronunciou pela primeira vez. — As pessoas podem achar que era apenas a igreja perseguindo, os fanáticos querendo algo para se distrair. Mas a verdade é que sempre houve magia por trás disso.
— Como assim? — Peta questionou o que todos queriam saber.
— Quando uma caçada começava sabíamos que ele estava vindo a terra, em busca de mais poder, a cada bruxa assassinada seu poder aumentava. De tempos em tempos ele erguia uma caçada, com um novo pretesto de sugar mais poder para si. — então ele fez uma pausa, o olhar longe como se lembrasse de algo. — Mas quando Mary amaldiçoou os dois povos, usando todo seu poder até consumir sua vida, ele sumiu por um longo tempo, até agora.
— Ele se alimentou da maldição, quando ela lançou o feitiço contra suas próprias irmãs, ela invocou uma magia que nunca antes foi usada. — Agnes falou o que eu já estava cansado de saber.
Se tem uma coisa que eu tinha feito todos esses anos, foi estudar a maldição, qualquer forma de quebrá-la, sem que eu precisasse me unir a um tipo que eu detestava e ter um filho com ela.
E aqui estava eu, preso a essa bruxa que carrega meu filho.
Como se minha desgraça não pudesse ser maior, ainda tinha um ser das trevas nos caçando.
— Acreditamos que essa é a mesma magia que te envolveu quando nasceu. — Blanca voltou a falar. — Por isso não precisamos jogar um multirão de virgens na sua cama, sabíamos que ela era a certa!
— Sabiam porque a porra de uma magia maluca envolveu ela quando era um bebê? Vocês são malucos! — bati minhas mãos em punho na mesa. — É bom que essa coisa fique longe do meu filho.
Ninguém disse nada, por um segundo eu pensei ser possível ouvir uma agulha cair. Então Bri levantou da cadeira, não parecendo mais abalada e nem fragilizada por usar tanto poder. Ela estava de pé como se nada tivesse acontecido nos últimos minutos.
— Duas coisas sabemos, ele já está aqui e a caçada já começou. Estão me atacando...
— Não querem você morta. — sussurrei não querendo interromper o momento que ela se impôs contra os outros, mas era necessário dizer a verdade.
— Como não, você viu no quarto...
— A sereia queria levar você e pra isso ela precisava matar o seu filho. Ela não tinha permissão para machucar você, nenhum deles tinha. — seus cílios bateram tão rápido que eu me perdi nos olhos verdes. — Quando torturei o bando, um deles disse que o Rei do submundo tem uma devoção por você e a quer viva, a missão era levava em segurança e sem o filho.
As mãos dela envolveram o abdômen plano e eu quis fazer o mesmo. Quando acreditei que matariam meu filho um reboliço se formou dentro de mim, uma fera ainda mais forte do que eu estava acostumada rugiu dentro de mim, querendo proteger minha cria, querendo proteger os dois.

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