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A Bruxa e o Alfa romance Capítulo 28

Eu podia escutar o coração dele batendo calmo, estávamos quase no mesmo compasso. Quanah usava a ponta dos dedos para desenhar traços irregulares em minhas costas e me arrepiar.

Ainda não conseguia entender o que tinha acontecido ali, algo estava diferente, mas eu não sabia dizer o que era. Ou não queria me iludir e supor coisas que só iriam me ferir no futuro.

Quanah queria me manter por perto e eu estava carente, era a única explicação para ficarmos nos arrastando daquele jeito um para o outro.

— Não é por isso. — sua voz estava baixa e mais rouca que o normal e aquilo fez seu peito tremer. — Você sente a corrente elétrica que gira em torno de nós.

— Isso não te impediu de me manter longe antes.

Quanah inspirou fundo e seus dedos pararam o que estavam fazendo, sua mão quente parou ali apenas me segurando contra ele.

Demorou tempo de mais, cheguei a pensar que ele não diria nada, quando ele finalmente abriu a boca para falar.

— A mulher que me deu a luz, foi pra cama com meu pai apenas para ter um filho e tentar quebrar a maldição, mas quando viram que não deu em nada ela de virou contra mim. — eu não entendia o porquê dele ter mudado tão rápido de assunto, mas estava escutando tudo em silêncio, era a primeira vez que falava do seu passado. — Eu tive que conviver com uma mulher que me detestava, ela queria que eu morresse, qualquer coisa valia de ela conseguisse se ver livre do lobisomem e seu filho. Meu pai acabou conhecendo uma lyncan e se apaixonando, foi quando decidiram liberá-la do casamento e ela se viu livre de todos nós.

Ele ficou em silêncio e eu esperei, torcendo para que viesse mais, mas aparentemente ele tinha acabado. Então me virei na cama ficando cara a cara com ele e apoiei meu queixo em seu peito.

Quanah me olhava sem realmente me ver, dava para notar o quanto ele estava longe.

Esquadrinhei pela primeira vez de perto seu rosto, as marcas de sol na pele parda, as pintas, algumas rugas na lateral de seus olhos eram a única constatação da sua idade e mesmo isso não o deixavam menos lindo. Os cílios cheios e castanhos confirmavam os olhos dourados que eu tanto amava.

Amava? De onde tinha vindo isso Bridget?

— Não sabia que você tinha sangue de bruxa em suas veias. — comentei a primeira coisa que veio a minha cabeça. Naquele momento qualquer coisa valia para fugir do que eu tinha acabado de dizer.

— Nos últimos duzentos anos todos os primogênitos tem, no começo tudo virou uma loucura, muitos pais entregavam as filhas virgens para que os homens de poder do nosso povo a tomasse em busca de quebrar a maldição. Os dois povos se odiavam, mas ninguém aguentava viver preso daquela forma. As coisas eram feitas de maneira horrível, muitas garotas foram abusadas, sendo usadas como um meio para um fim. — minha respiração ficou presa na garganta em apenas imaginar o que ele tinha contado. — O menor dos males, era o que ouvi que todos diziam. Então elas eram obrigadas a carregar o filho até o nascimento e quando se via que não era a criança prometida, eles iam cada um para um lado e a criança ficava para ser criada por qualquer um que desejasse.

— Isso é horrível. Como eles podiam fazer isso com crianças? Eram só bebezinhos! Como eles podiam fazer isso com as mulheres? Não importa o desespero que estavam, fazer algo assim deveria ser inaceitável.

Seus olhos finalmente focaram em mim e ele deslizou um dedo por minhas costas nuas, contornando o osso da espinha.

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