Eu estava dentro da sala de reuniões, eles demoraram em ceder até mesmo para que eles pudesse entrar ali, mas finalmente estava de frente a Nikolai, Kalina e Alice de um lado, enquanto do outro estava vovó Blanca, Agnes, Flora e todo o resto dos bruxos e bruxas que tinha chegado.
Ele queria ajudar e era o mais certo, eu precisava fazer aquilo, mas todas as outras insistiam que eu não deveria me envolver com ela, segundo vovó Blanca mexer com magia negra tinha grandes consequência, não só para o nosso corpo, mas para nossa alma.
— Mande essa mulher para longe daqui, nós podemos resolver isso. — Agnes pediu novamente, eu já estava cansada daquela conversa incessante que não estava levando a lugar algum.
— Se podiam então porque não fizeram ainda? Porque deixaram todo esse tempo que Quanah estivesse capturado, enquanto ela sofre aqui? — Kalina falou antes mesmo que qualquer um pudesse falar. — A resposta é porque sabem que esse tipo de magia só eu posso fazer, e ainda mais que estão felizes por...
— Kalina, não sabe mesmo a hora de calar a boca, não é? — Nikolai a calou, e eu estava começando a achar que tinha mais ali do que ele estava deixando que ela dissesse. — Quanah confiava nela, tanto que foi atrás dela para fazer a ligação com você, ele sabia que era o único jeito de conseguir rastreá-la e de saber se algo de ruim ou não estava acontecendo com você. E se você quer mesmo encontrá-lo precisa fazer o mesmo.
— Porque você me ajudaria a encontrar Quanah? Tinha dito que me queria, queria o que ele roubou de você e agora quer me ajudar? — fiz a pergunta que queria fazer desde que ele tinha dito que estava nos portões da reserva.
— Porque não preciso de outra mulher que ame outro homem, vivi a eternidade com isso. — ele não hesitou nas palavras e choque me tomou. — Prometi que a protegeria e é o que vou fazer independente do resto.
Eu continuava a encarar o homem a minha frente sem conseguir acreditar nas suas palavras, tudo tinha mudado tão rápido desde a primeira vez que nos vimos, não parecia nem mesmo ter passado quase um mês e mesmo assim eu estava surpresa com sua oferta.
— Você não pode confiar nele, ele mente, sempre mentiu. E como se não bastasse arrastou essa bruxa até aqui...
— Chega Blanca! — gritei colocando um fim aquela briga infinita. Os olhares chocados me atingiram, eu nunca tinha falado assim com elas, não ao menos até o dia que tinha usado meus poderes pela primeira vez. — Isso fara algum mal para o bebê?
— Não, se fizesse Quanah jamais teria escolhido esse caminho. — Kalina explicou. — Vou te unir a ele pelo sangue que compartilham com a criança, você vai poder sentir o que acontece com ele e sentir o que ele sente, e o mais importante, vai conseguir saber onde ele está.
— Então faça, faça logo!
— Bridget, um aviso, vai sentir tudo o que ele sente, não sabemos onde ele esta e o que está acontecendo com ele...
— Só faça! — não me importava o que eu ia ver ou sentir, a ideia de que ele estava sofrendo só me impulsionava a querer fazê-lo logo, para poder trazê-lo de volta.
— Você não pode! Não sabe o que isso vai causar...
— Eu fui tenho a magia dentro de mim, não foi o que disseram? Chega de interromper e faça Kalina!
Ela assentiu e ergueu as mãos até o rosto e tirou os óculos escuros, revelando duas bolas negras ao invés de olhos. Escutei ao longe sussurros e comentários, mas não me importei, respirei fundo e me preprarei.
— Umbrae, quae nos circumdant, his utere corporibus! (As sombras que nos cercam, usam esses corpos!)
Umbrae, quae ventus portat, monstra viam! (Sombras que o vento carrega, mostre o caminho!)
Nox, quae animas incolunt, iungunt animas! (Noite que habita as almas, unam essas vidas!)
Ela proferiu as palavras no latim, o vento abalou as janelas e uma fumaça negra voou de seus dedos se aproximando de mim.
— Pare com isso, você tem que parar! — Blanca gritava, mas Kalina continuou fazendo como eu tinha pedido.
A fumaça me alcançou, tomando conta do meu corpo, desde os pés até cobrir minha visão e então eu senti outro coração bater que não era o meu, os sons de goteira e o cheiro de enxofre encheu minhas narinas.
— Aaaaaaaa! — gritei caindo no chão quando a dor tomou meu corpo, todo lugar doía, especialmente minha cabeça, meu corpo parecia preso, mesmo que eu conseguisse mexer meus braços e pernas. — AAAAAAAAAA!
Eu não sabia o que estava acontecendo, levei as mãos a cabeça tentando pará-la, mas a dor estava me dominando, perfurando minha cabeça quase ao ponto de me enlouquecer.

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