Agnes foi trazida até parar a nossa frente com um guarda de cada lado, além dos braços amarrados para trás e de um roxo na cabeça, que eu tinha certeza ter sido a responsável por isso, não havia nada de diferente nela.
Seu olhar não estava calmo e meigo como eu costumava lembrar, estava duro e frio. Alice se aproximou de onde estávamos, saindo do fundo da multidão ela parou na primeira fila, ao lado de Flora e Kalina.
— Estamos reunidos aqui hoje, para julgar essa mulher por suas ações contra Bridget Bishop. — dessa vez foi uma mulher anciã que se pronunciou
— Ela é acusada de atentar contra a vida da jovem, se passando pelo espirito de sua mãe com a intensão de tirá-la daqui e levá-la até as outras bruxas de seu coven.
Eles olharam na nossa direção e com um aceno de cabeça passaram a palavra para Quanah. Ele se deu passos calculados até estar cara a cara com Agnes, antes de começar suas perguntas.
— O que você queria levando-a para fora daqui? — ela não disse nada, apenas o encarou com o olhar altivo. — Quais eram suas ordens? Porque não pedir que Bridget lhe acompanhasse? O que as outras bruxas queriam com ela?
Quanah continuou insistindo, mas estava claro que ela não falaria, quanto mais o tempo passava mais certeza eu tinha disso.
— Fale de uma vez mamãe! Diga logo a verdade, que querem usar Bridget como uma faz tudo para vocês!
— Cale a boca menina burra, você não sabe de nada! — ela gritou e pela primeira vez eu a via transtornada daquele jeito. — Você deveria estar do nosso lado e não do lado deles, tudo isso porque está trepando com o lobisomem ali, não é? Criatura ridícula. — minha boca caiu aberta quando ela apontou com a cabeça na direção de Peta, respondendo as minhas perguntas de mais cedo. — Não me surpreende, diferente da sua irmã você nunca soube manter as pernas fechadas.
Nosso arfar de choque não foi o único ouvido entre todos ali, não consegui me mante mais no lugar, por mais que Quanah tivesse dito que era errado sair da formação enquanto um de nós estivesse interrogando-a, mas eu queria olhar mais de perto ela ver se ela estava mentindo.
— O que disse? Irmãs? Não Bridget e eu não somos irmãs, não tem como. Hades só a teve de filha e você é minha mãe e não dela...
— Vocês não se preocupam nem ao menos de ler os livros de magia, todos esses duzentos anos sem poder praticar e todas vocês que nasceram ficaram cada vez mais péssimas em entender sobre o que é ser uma bruxa. — Agnes falou, olhando de Alice para mim e então se calou, como se não tivesse mais nada o que falar.
— Você vai abrir a boca e contar tudo agora! — Peta bradou e um dos ancestrais bufou de raiva, eu não podia culpá-lo, o julgamento tinha virado um verdadeiro circo e eles prezavam pela organização. Mas o que podíamos fazer quando ela estava apenas nos enchendo de meias verdades?
— E você pretende fazer o que para que eu fale? Lobisomens não podem ferir bruxas, assim como nós não podemos feri-los, a não ser que suas vidas corram perigo é a lei, e eu não estou atacando ninguém aqui. — um sorriso diabólico surgiu em seu rosto, eu não sabia quem era aquela mulher, mas definitivamente não era a Agnes que eu conhecia.
— Eles não podem tocar em você, mas uma bruxa pode. — Alice falou se aproximando dela e encarando-a de perto. — Você não acha que tenho coragem, não é? Mas se está escondendo algo da minha vida, se quer me usar como um peão e fazer mal as pessoas que eu amo, então você não é mais a mãe que eu conheço. — Agnes engoliu em seco e se afastou dando um passo para trás. — E eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance pra conseguir as respostas.
Eu não aguentei mais e fui até ela, Alice não podia estar falando sério, ela era sua mãe apesar de tudo.
— Você não pode fazer isso...
— E você não tem ideia de tudo o que ela tem feito esses últimos meses, não tem uma mínima ideia do que passei com ela e com as outras, do que ouvi. — Alice tinha lágrimas nos olhos quando me olhou, e eu realmente não sabia de nada que estava acontecendo com ela, estava ocupada de mais tentando me manter viva e aprender a usar os poderes e não prestei atenção na minha amiga.
Mas ainda sim eu precisava insistir.
— Você está certa, eu não sei o que te aconteceu nesse tempo, mas sei que você não vai se perdoar se machuca-la, por mais errada que ela possa ser.
Foi então que Kalina deu um passo a frente, ela usava seus habituais óculos escuros e uma roupa preta de couro que só me fazia pensar se ela não estaria derretendo naquele sol escaldante.
— Eu posso fazer! — Alice e eu a encaramos e Agnes se contorceu nas mãos dos guardas.
— Tem certeza disso? — minha amiga questionou, já eu não tinha duvidas, mil vezes qualquer um ali do que Alice.

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