— O que fazia lá em baixo? — Quanah perguntou assim que voltamos para o quarto. — Pensei que estava dormindo.
— Não consegui pegar no sono e desci atrás de um pouco de leite. — suspirei me dando conta de que nem mesmo ali estava segura. — Não imaginei que tentariam me atacar aqui dentro, muito menos que pessoas que ajudaram a me criar fariam isso.
Quanah afagou minhas costas, tentando me consolar de alguma forma, mas minha cabeça ainda se voltava ao momento que Kalina desfez o feitiço e desmascarou Agnes.
— Sinto muito que isso tenha acontecido. — ele beijou meus cabelos de forma calma, mostrando um lado que eu não sabia que ele tinha, um lado carinhoso e totalmente dedicado. — Infelizmente não posso te dizer que isso vai mudar, seu poder é grande de mais e isso vai atrair pessoas de todos os lados. Pessoas que nem sempre vão querer o seu bem.
Ele tinha razão, cada vez mais eu começava a pensar que não estava segura em nenhum lugar, primeiro Nikolai usou Seth para chegar até a mim e agora as bruxas usaram Agnes para tentar me levar até elas. O que viria a seguir?
— Ela era como uma tia pra mim, como ela teve coragem? Ainda mais usando a imagem da minha mãe para me atrair, elas eram amigas e nem mesmo isso ela respeitou.
— Isso vamos descobrir amanhã, ela vai ser interrogada e daremos uma sentença.
— Mas ela... não vão matá-la, não é? — questionei apreensiva, por mais que ela tivesse passado por cima de tudo o que era nossa amizade, eu não queria que nada de ruim lhe acontecesse e ainda tinha Alice, não queria minha melhor amiga órfã.
— Bri, isso vai depender de como tudo vai se desenrolar. — ele me afastou e me encarou nos olhos. — Não sabemos quais eram os planos exatos dela e onde estão as outras, elas podem estar planejando muito mais e precisamos saber de toda a verdade. — então respirou fundo antes de continuar. — Não esqueça que o que elas fizeram colocava em risco não só a sua vida, mas a vida do nosso filho também.
Eu sabia que ele estava certo, mas ainda sim não conseguia imaginar ela morta, ou até mesmo vovó Blanca, que não foi encontrada em lugar nenhum. Suspirei sabendo que precisava parar de chamá-la desse jeito e que precisaria ser forte de agora em diante.
— Me prometa que vou poder opinar diante do conselho, sei que as regras não permitem que pessoas de fora da alcateia falem, mas...
— Você vai ter voz, pode ficar tranquila. Afinal você é minha mulher, não é? — ele falou me deixando com um pequeno sorriso nos lábios, eu gostava quando ele dizia que eu era sua, talvez todo o discurso de Nik sobre pertencer a alguém estivesse começando a fazer sentido pra mim.
Quanah me afastou se levantando logo em seguida e indo em direção a porta.
— Aonde você vai?
— Buscar seu leite. — ele respondeu já na porta e eu não consegui evitar que meu coração desse uma cambalhota no peito.
Penei a conseguir dormir aquela noite, mesmo depois de tomar o leite quente que ele me trouxe, até mesmo me aconchegar contra seu corpo demorou a fazer efeito.
Eu estava inquieta, meu corpo estava em alerta e isso mexeu totalmente com meu sono. Cochilei por pouco mais de duas horas, quando ouvi o lugar a nossa volta ganhar vida, todos já estavam acordados e o lugar estava a todo vapor.
— Bom dia. — a voz que ainda parecia um trovão soou ao pé da minha orelha, eu até senti um reboliço dentro da minha barriga.
— Acho que eu jamais vou me acostumar com sua voz, ainda mais assim pela manhã. — Quanah envolveu minha cintura com seu braço e descansou a mão sobre minha barriga, então o reboliço aconteceu de novo, só que dessa vez foi mais forte.
— Parece que você não é a única que gosta da minha voz. — eu encarei minha barriga atenta para ver se algo aconteceria, ele afastou a regata que me cobria e apertou a palma da mão contra minha barriga novamente. — Bom dia garotão.
Como se soubesse que estavam falando com ele, nosso bebê chutou novamente e eu gritei assustada e extasiada com aquela sensação. Tínhamos estado tão ocupados com toda a merda a nossa volta que o tempo estava passando e não estávamos contando.

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