Eu tinha explicado para Nik tudo o que Kalina havia conseguido arrancar de Agnes, sobre as bruxas, meu poder e Hades.
Ele estava no banco do carona, Flora tinha insistido em dirigir e me fez deitar no banco de trás. Eu tentei protestar no começo, mas ela estava certa sobre eu estar fraca e precisar descansar, pois toda a cena daquelas pessoas queimadas me fez colocar pra fora tudo que eu havia conseguido comer essa manhã.
Agora precisava guardar forças, já que não sabíamos o que poderíamos enfrentar.
Me virei tentando encontrar uma posição confortável, que no mínimo me ajudasse a descansar, mas parecia impossível. Na meia hora que estávamos ali, eu não tinha conseguido fechar os olhos.
Por sorte de Kittery até Boston eram apenas uma hora e alguns minutos, ou eu enlouqueceria. Com toda certeza com o ânimo que eu estava não conseguiria viajar como Peta e Alice, que tinham um caminho longo de dezesseis horas de estrada.
Eu comecei a tentar pensar em tudo de bom que tinha acontecido nos últimos meses, era uma coisa que minha mãe tinha me ensinado desde criança. "Quando estiver se sentindo muito perdida e sem esperança, é só lembrar de tudo o que já viveu de bom, para reavivar sua esperança.". As palavras dela ecoaram em minha mente, eu estava realmente precisando de um pouco de esperança.
Talvez fosse a hora de reviver os ensinamentos dela.
Lembrei de quando conheci Quanah, de quando descobri que estava grávida e depois quando me contaram sobre esse mundo universo sobrenatural. Revivi cada segundo bom dessa jornada e em algum momento acabei pegando no sono, pois quando voltei a ter consciência de algo a minha volta estava escutando Flora e Nik discutindo.
— Só fique longe dela e mantenha suas mãos para você mesmo. — ela estava irritada, dava pra notar no seu tom de voz, eu só não sabia o porque.
— Acha mesmo que manda em alguém, criança? — a voz dele era de puro desprezo.
— Não me teste, estou louca pra descobrir se sua imortalidade também impede que alguma parte sua seja arrancada, posso testar com sua mão se ousar tocar nela.
Eu quase arfei no banco traseiro, mas me segurei querendo ver até onde eles iam. Nik devia ter feito ou dito algo muito sério, porque desde o dia que a via pela primeira vez, ela nunca esteve tão nervosa assim.
— Você não me assusta coisinha, duvido que assuste algo maior que bebês, talvez sim com essa cara feia. — o rosnando de Flora me arrepiou dos pés a cabeça e eu ergui meu corpo no mesmo instante, afinal alguém precisava intervir antes que eles se matassem.
— Me chamando no diminutivo só para tentar me colocar pra baixo, mas não vai funcionar, tive isso a minha vida toda das pessoas mais próximas. Vai ter que tentar algo melhor se quiser me intimidar. — ela falou e eu engoli em seco, Flora nunca tinha falado da sua família, mesmo quando eu, ela e Alice estávamos fofocando da nossa. — Ouse tocá-la sem a permissão dela para ver se não vai perder essa mão imunda!
Eu abri minha boca pra falar, mas antes que tivesse a chance uma nuvem branca cobriu meus olhos e eu ouvi um grito de socorro.
— Alguém me ajuda! Socorro! — uma mulher gritava e o barulho de pedras tremendo era alto de mais. — Eu não sei como parar!
E então com a mesma rapidez que surgiu a nuvem se dissipou.
— Você está bem? — Flora questionou enquanto ela e Nik me encaravam pelo retrovisor.
— Acho que estamos perto, de alguma forma é como se ela tivesse se comunicado, mas... — o barulho de pedras tremendo, algo pode ter lhe deixado irritada e seu poder ascendeu, agora que o feitiço foi desfeito qualquer coisa poderia fazer o poder florescer com rapidez, do mesmo jeito que foi comigo.
— Bridget, o que aconteceu?
— Ligue o rádio, procure por um terremoto ou algo assim, acredito que Brooke acabou de ter o primeiro contato com o seu poder e está totalmente perdida, no meio de um terremoto que ela mesma causou.
Nik rapidamente ligou o rádio do carro, mudando de estação procurando algo que nos desse a indicação de onde ela estava.
— Talvez se fechar os olhos e se concentrar nela seja mais fácil. — Flora disse chamando minha atenção. — Alguns irmãos tem esse tipo de conexão, nunca se sabe o que vocês podem ter.
Ela estava certa, fechei meus olhos e tentei me concentrar na voz que tinha escutado antes.
— Brooke. — murmurei torcendo para que se eu pude escutá-la uma vez, ela também pudesse agora. — Brooke me diga onde você está, queremos te ajudar.
Eu estava quase desistindo disso e voltando às notícias, quando a voz afobada gritou.

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