Saímos de lá um tanto sem rumo, eu estava no banco de trás, tentando de tudo para acalmar Brooke.
Os cabelos dela eram de um loiro quase branco e curto na altura do pescoço, a roupa que ela usava, um vestido cheio de babados e laços, junto com o crucifixo que ela levava no pescoço, me dizia que ela era um tanto religiosa. Imagino que sua confusão deve ter sido ainda maior quando conseguiu fazer a terra tremer.
— Co...como você fez aquilo, jogou as pessoas longe se...sem mover um dedo? — ela ainda tremia e eu tinha certeza que não era de frio.
— Do mesmo jeito que você estremeceu a terra, nós podemos mandar nos elementos com apenas o pensamento.
— Não, não, não! Isso é loucura! — ela gritou e olhou para os lados. — Nada disso é real! É só mais um pesadelo.
— Eu sei como é se sentir assim, faz pouco tempo que descobri sobre esse mundo e que encontrei meus poderes. Mas tudo vai ficar bem, estamos aqui pra ajudar.
— Não não, se eu morrer no sonho vou acordar. — Brooke disse e tentou abrir a porta querendo realmente pular do carro.
Eu não podia culpá-la, na minha vez eu cheguei a me cortar para ter certeza que não era um sonho maluco.
— Se acalme, eu prometo que tudo vai ficar bem! — estava prometendo algo que não tinha como ter certeza, mas eu tentaria.
Brooke sacudia a cabeça de um lado para o outro se recusando a processar qualquer coisa que eu tenha falado. Eu estava cogitando colocá-la para dormir de alguma forma, mas me lembrei quando era eu no lugar dela e como me senti depois de me fazerem dormir por tanto tempo apenas para adiar aquela conversa difícil.
Mas por sorte Nikolai entrou no estacionamento de um hotel, onde ele garantiu que ninguém nos incomodaria.
Flora foi na frente para garantir que ele não estava aprontando nenhuma, a desconfiança dela com Nik era extrema, mas eu a entendia, não estávamos podendo confiar em ninguém.
— Vamos, consegui um quarto para nós. — Nik abaixou o vidro e comunicou quando voltou.
Flora estava parada na entrada do Hotel e um homem branco e alto veio pegar o carro, eu tinha a sensação de já ter visto aquele homem, só não sabia onde.
Seu olhar cruzou com o meu e um calor familiar e confortável perpassou por meu corpo. Eu estava prestes a perguntar se nos conhecíamos, quando Nik me puxou mais de pressa para dentro do prédio.
— Vamos, já estão falando de vocês pela cidade, ficaram mais segurar dentro do prédio. — Flora falou enquanto entrávamos e eu senti que atravessávamos uma barreira invisível.
— Isso é um enfeitiçado? — questionei e olhei em volta, de repente uma mulher passou voando perto da gente, as assas cintilando em diferentes tons de verde até que ela parasse atrás do balcão da recepção.
— Sim, tem um feitiço de proteção, só seres sobrenaturais conseguem ver o que eles realmente são. — Nik explicou.
Um ser pequeno atravessou o salão, ele lembrava uma pessoa com nanismo, mas definitivamente não era humano. As orelhas pontudas, os dentes proeminentes e ao invés de falar ele soltava grunhidos.
— Uma espécie de orck. — Flora sussurrou perto de mim, mas eu estava encantada encarando mais e mais criaturas que eu não tinha ideia que existiam, andando por ali. — Temos que ir, antes que Brooke tenha um ataque aqui.
Sacudi minha cabeça voltando a real, teria mais tempo para desvendar esse mundo depois que isso tudo estivesse resolvido, por hora tínhamos que ajudar Brooke.
— Eu estou enlouquecendo! Nada disso é real! — ela repetia quando entramos no quarto.
O lugar era espaçoso, infelizmente só haviam duas camas, não sei como isso iria funcionar com quatro de nós.
— Você não está enlouquecendo, todos nós vimos aquelas criaturas, elas são tão reais quanto você é uma bruxa. — Flora despejou fazendo finalmente Brooke calar a boca. — Mostre pra ela Bridget ou vou me transformar aqui e não vai ser algo bonito para ela.
— Muito sutil sua abordagem. — Nik resmungou com deboche enquanto checava as janelas.

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