— Eu não te amo, Nikolai, entenda isso! — repeti pela milésima vez e levantei me afastando dele.
— Amor, amor. Sempre esse maldito no meu caminho. — ele rosnou e esfregou as mãos em seus cabelos, bagunçando o penteado perfeito. — Quer dizer que nem mesmo depois de anos protegendo você, fazendo Will te manter segura e longe de qualquer outro homem, foi tudo em vão? Tudo por nada?
Suspirei sem saber o que dizer para confortá-lo, eu não sentia nada por ele além de carinho e amizade e eu sabia que ele sentia o mesmo, não sei porque insistia em algo mais.
— Eu sou grata por isso, por tudo o que você e Will fizeram, protegendo eu e minha mãe. Mas você não me ama, do mesmo jeito que eu não te amo. — me virei para a figura dele, agora na janela observando a rua. — Você precisa tirar da cabeça que eu serei sua esposa, esqueça essa história de prometida, nós somos amigos. Essa coisa que você disse que me faz desejar pertencer a você vai acabar.
— E se eu não quiser esquecer? E se eu não deixar ir? Ainda posso te obrigar a ir comigo.
— Você sabe que não pode e nem quer, se concordou com toda essa loucura de ter uma prometida, foi justamente porque não queria mais roubar a mulher de outro. — caminhei até ele devagar e segurei suas mãos.
Tínhamos nos tornados próximos quando Quanah estava cativo, eu acreditei que toda aquela loucura tinha acabado, mas talvez essa fosse hora de acabar com as esperanças dele.
— Sabe que eu poderia te fazer feliz, tanto quanto ele faz. — ele se aproximou colando nossas testas e eu fechei meus olhos querendo evitar seu olhar machucado.
Não sabia como deveria ser uma eternidade solitária como a dele, porém cada vez mais eu me sentia comovida com ele, ninguém devia viver daquele jeito, enfrentando séculos e séculos sozinho.
Era nesses momentos que eu entendia sua personalidade reservada e sua pouca paciência.
— Poderia, mas não seria justo comigo nem com você, seria mentir para nós mesmos. E eu não gosto de mentir para os meus amigos. — abri meus olhos e encarei seu olhar castanho. — Eu quero que você seja feliz, com uma mulher que te ame de todo o coração e eu sei que eu não sou essa mulher.
Nik me puxou para um abraço, seu queixo descansou na altura da minha cabeça e ele envolveu seus braços em minha cintura, me mantendo apertado contra ele.
— Eu não mereço nem mesmo a sua amizade, sabia? Fiz muita coisa que você me odiaria se soubesse. — seu tom de voz mudou, ficando mais profundo e assustador. — Não sabe o tipo de pessoa que eu sou, capaz de qualquer coisa para conseguir o que quero.
Apertei meus braços em suas costas, querendo esquecer aquele arrepio gelado que subiu por minha coluna.
— O importante é o que faz agora, você está me ajudando, está ajudando outras pessoas. É só isso que quero saber agora.
— Vou querer saber o que está acontecendo aqui? — Flora falou nos pegando de surpresa. — Está tudo bem Bridget?
Me afastei dele quando senti meu estomago roncar com a comida que ela colocou na mesa que tinha ali no canto.
— Tudo ótimo, estou morrendo de fome. — falei já me sentando e atacando a comida italiana que ela tinha trazido.
— Pode me dizer se quiser que eu arranque as mãos dele, estou realmente tentada a ver se elas vão crescer novamente ou ele vai passar o resto da eternidade sem elas e se lembrando de mim. — ela provocou se sentando para comer também.
— Seria seu maior sonho, que eu lembrasse de você alguma vez na vida, não é mesmo?
Sacudi a cabeça e sorri com a implicância dos dois, talvez fosse mais fácil arrumar uma mulher para ele do que eu imaginava.
Depois que comemos, Flora fez questão de ficar de guarda, eu tentei insistir que ela dormisse, mas aparentemente ela não confiava nele de jeito nenhum, para conseguir dormir. Então os dois ficaram acordados por um par de horas, quando a madrugada deu as caras nós acordamos prontos para voltar para casa, seria mais fácil de sair da cidade na calada da noite.

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