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A Bruxa e o Alfa romance Capítulo 8

Não demorou para que todas começassem a empacotar as coisas que levaríamos, só o necessário, a viagem ia ser de carro e não queríamos chamar a atenção na estrada. Infelizmente a casa da vovó Blanca ficava muito mais longe do centro de Salem, levaríamos quatro horas para chegar a boate, se déssemos sorte e não tivesse nenhum imprevisto na estrada.

— Fica tranquila, vai dar tudo certo. — Alice tentou me tranquilizar quando se enfiou no banco de trás, entre Flora e eu.

— Peta vai estar esperando por nós, não se preocupe. — Flora explicou.

Eu queria perguntar por que Peta estaria esperando e não Parker? O que ele tinha com Alice? E até onde ele estava envolvido nesse plano de me levar até lá?

Mesmo que ela não assumisse que tudo não passou de uma armação, eu tinha certeza que nossa noite tinha sido orquestrada desde o começo. Nunca acreditei em destino e não ia começar agora, especialmente quando existia uma força do mal que queria impedir isso.

Deitei minha cabeça contra o banco e encarei a paisagem do lado de fora, Agnes dirigia com pressa, não queriam correr o risco de me deixar ao aberto assim sem proteção. Ela não demonstrou sua indignação em eu ter aceitado ir atrás de Parker, por ela eu deveria ter permanecido na casa e as outras sairiam em busca de proteção.

Não falamos muito durante o caminho, vovó Blanca estava dormindo ao lado de Agnes, Alice estava concentrada em seu celular e Flora assim como eu observava as ruas vazias. Não era um dia típico para ter muitos visitantes, a anunciação de chuva afastou as pessoas das ruas.

Estávamos próximo a LYNC, a boate da outra noite, que segundo Flora era onde ele vivia. Então um grasnado de pássaro soou mais alto do que o natural, as encarei confusa e o medo no olhar de todas me fez ficar em alerta.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, algo se chocou contra o vidro ao meu lado, todas nós gritamos com o impacto, e Agnes acelerou, Flora se aproximou da janela tentando ver o que poderia ter nos atingido. Então novamente o som veio seguido do corpo se chocando no mesmo lugar, mas dessa vez não houve pausa, um atrás do outro os corvos começaram a se jogar contra a janela ao meu lado.

Eu estava gritando assustada e Alice me puxou para seu lugar, o vidro começou a rachar e ninguém parecia saber o que fazer.

— Ventus, ventus; averte omne malum! — Alice começou a falar e uniu seus dedos, suas íris perderam a cor e se tornaram em branco cintilante. — Ventus, ventus; Obstavi malum!

Os pássaros pararam de atingir o vidro, mas continuaram a se jogar em nossa direção. Foi ai que entendi o que ela estava fazendo, com seus poderes Alice criou uma barreira em volta do carro.

— Acelera! Ele não vai desistir tão fácil assim! — Blanca falou.

Agnes pisou no acelerador, enquanto eu tentava me manter calma e respirar, o desespero era palpável dentro do carro, se Alice não aguentasse até lá eu não tinha ideia do que iria acontecer com todas nós, mas sabia que não seria nada gracioso e indolor.

Como se as palavras de Vovó Blanca tivessem poder, uma nuvem negra se formou em nosso caminho, vindo em nossa direção em grande velocidade.

— Alice, aguente firme! — sua mãe gritou de trás do volante e eu consegui distinguir, não era uma nuvem e sim centenas de corvos juntos.

— Abra a porta! — Flora gritou me assustando.

O que diabos ela queria fazer lá fora? Mas sem discutir a porta foi destravada e ela se jogou para fora do carro em velocidade. Me virei contra o banco tentando vê-la pelo vidro traseiro, mas só o que havia era um lobo enorme na estrada, correndo tentando nos acompanhar.

— Tem um lobo...

— Loba querida, essa é a Flora em sua forma de lobo. — vovó Blanca tratou de esclarecer e eu a encarei ainda mais fascinada.

A loba, ou Flora, corria em alta velocidade, balançando seus pelos dourados como os seus cabelos loiros. Ela olhou para o carro continuando sua corrida enquanto Agnes diminuía rapidamente, os pneus queimando no asfalto com a freada brusca.

Alice começou uma nova leva de palavras, agora se concentrando na nuvem de corvos. Os animais começaram a se debater sem conseguir sair do lugar, suas asas batiam como se estivessem confinados em uma caixa invisível.

Encarei minha amiga e vi seu nariz escorrendo um filete de sangue, seus olhos brancos oscilaram e a magia pareceu perder a força, pois alguns deles começaram a fugir.

— Ela não vai aguentar! — gritei para as duas quietas no banco da frente. — Alice chega! Você vai morrer se continuar com isso.

O barulho de algo pesado pulando sobre o carro me fez gritar, mas eu fui a única, elas pareciam já saber o que estava para acontecer. Flora estava em cima do carro e pulo, pegando impulso para acertar os corvos confinados na magia de Alice.

Suas presas enormes rasgaram vários pássaros, enquanto suas garras afiadas destroçavam asas e corpos. Tudo pareceu em câmera lenta, mas na verdade durou apenas o segundo que ela estava no ar.

Quando seu corpo caiu no chão os pássaros que sobraram voltaram a nos atacar, não havia muitos deles e Flora continuava a lutar com eles.

— Vai! Tem mais deles chegando! — vovó Blanca gritou me deixando em pânico e Agnes não pensou duas vezes antes de acelerar. — Estamos perto agora, assim que entrarmos na reserva vamos ter reforços.

Eu queria ajudar de algum jeito, queria poder ser útil, mas tudo o que eu conseguia fazer era temer mais e mais por minha vida. Um uivo alto nos alcançou e eu só consegui pensar no meu pesadelo, e esse nem era um terço do tom que ouvi no sonho.

— Precisamos voltar! Não podemos deixa-la para trás! — bradei irritada, onde estávamos eu não conseguia ver mais nenhum sinal dela ou dos corvos.

— Flora está avisando a alcateia que estamos perto e que estamos sob ataque. — vovó explicou com uma naturalidade que me assustava, eu queria conseguir manter a calma assim como ela. — Não se preocupe querida, já estamos chegando.

O corpo de Alice tombou ao meu lado e eu segurei seu tronco com cuidado, quando virei seu rosto em minha direção vi que ela ainda continuava segurando o escudo em volta do carro, seu nariz continuava a sangrar e mesmo estando visivelmente fraca ela não parou.

— Entramos na reserva! Agora vocês estão seguros!

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