“Anthony, que bom que você finalmente se juntou a nós. Ser o futuro Alfa não lhe dá privilégios especiais. Agora, sente-se antes que eu decida te mandar direto para a detenção.”
“Sim, Sr. Watson,” resmunguei, jogando meus livros sobre a mesa antes de me sentar ao lado de Nancy.
Ela estremeceu de surpresa quando me sentei ao seu lado e olhou para mim de canto, disfarçando um sorriso. Tentei fingir que ela não estava ali e me concentrar na aula do Sr. Watson. Ele estava explicando sobre os diferentes tipos de solos com baixo e alto teor de nutrientes. A caneta de Nancy balançava para frente e para trás enquanto ela prestava atenção na aula. Suas mãos eram pequenas e delicadas, e suas unhas estavam bem cuidadas, pintadas com um discreto tom de rosa. Seus longos cabelos castanhos caíam sobre os braços, e eu observei quando ela colocou uma mecha atrás da orelha, revelando um brinco de ouro e deixando sua nuca exposta. Meus olhos se fixaram ali, e meu coração começou a bater mais rápido, fazendo-me suar, enquanto sentia meu pulso irregular explodindo em meu peito.
“Anthony… Anthony!” Exclamou o Sr. Watson. Caí da cadeira, e todos começaram a rir. Encarei a turma e eles ficaram em silêncio. “Pela segunda e última vez, Anthony. Sente-se.”
Nancy lançou-me um olhar de relance, enquanto eu pegava a minha cadeira para me sentar, continuando a ignorá-la.
“Agora, como eu estava dizendo, o aluno que está sentado ao lado de vocês será seu parceiro de laboratório pelo resto do semestre.”
“Como é que é?!” exclamei, batendo o punho na mesa e partindo-a ao meio. Meus livros caíram, assim como os de Nancy, e todos os olhares se voltaram para mim.
“Não vou fazer dupla com Nancy pelo resto do semestre!”
Nancy levantou a mão. “Sr. Watson, tenho que concordar com Anthony. Prefiro ser parceira de laboratório da cobaia da sala de aula na gaiola ali; pelo menos, o QI dela deve ser maior do que o dele,” disse ela.
A sala irrompeu em risadas.
“Silêncio! Todos vocês, fiquem quietos!” exclamou o Sr. Watson. A turma ficou em silêncio, restando apenas o som de risinhos abafados que todos tentavam conter. “Agora, Anthony, você ficara na detenção por chegar atrasado, por não prestar atenção na aula e por danificar a propriedade da escola.”
“Mas…”, tentei argumentar. Nancy riu, e eu a encarei.
“Quanto a você, Nancy. Gostando ou não, será a parceira de laboratório de Anthony e também o acompanhará na detenção hoje, depois da aula!”
“O quê!? Mas Sr. Watson, isso não é justo!”
“Assim como a vida também não é um mar de rosas, Nancy,” ele rosnou.
Nancy e eu nos recostamos em nossas cadeiras, com os braços cruzados, e ficamos de costas um para o outro, já que não tínhamos mais uma mesa para encarar. Ambos estávamos lutando para segurar a língua e evitar mais problemas.
O sinal tocou, e todos se foram. Naquele momento, Nancy e eu nos abaixamos para pegar nossos livros do chão. Claro, eles haviam se misturado quando caíram. Enquanto recolhíamos nosso material, acabei tocando acidentalmente na mão dela, quando esticamos nossos braços para pegar o mesmo livro. Encaramos nossas mãos por um momento; a dela era tão macia e quente. Trocamos olhares durante alguns segundos, e eu soltei rapidamente a mão dela, como se seu toque me queimasse. Peguei meus dois últimos livros e sai em disparada da sala em direção à minha última aula do dia.
Maria e Claudia já estavam na aula de inglês antes de mim. Elas escolheram assentos em lados opostos da sala, o que era um alívio. No entanto, meu único problema naquele momento era que ambas estavam dando tapinhas no assento ao lado delas, sinalizando para que eu me sentasse.
Frank e Nate riam no fundo da sala, especulando sobre quem eu escolheria para sentar ao lado. Bem, já que eu estava planejando sair com Claudia, talvez fosse uma boa ideia conhecê-la um pouco melhor. Isso poderia me ajudar a esquecer Nancy e o que acabara de acontecer entre nós na sala de aula de uma vez por todas.
Maria fez uma careta quando me sentei ao lado de Claudia, e vi Nate fazendo um bico ao entregar cinco dólares nas mãos de Frank. Eles haviam apostado sobre quem eu escolheria.
Claudia se agarrou ao meu braço da mesma forma que Maria faria.
“Estou ansiosa para o dia da festa,”
“Sim, hum, eu também estou,”
“Então, o que você pretende usar?” ela perguntou curiosa.
“Er, roupas…?”
“Claro que você vai vestir roupas, engraçadinho. Mas qual estilo?”

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