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A coitada se tornaria a Luna romance Capítulo 33

Entrei na sala de ciências sem cumprimentar o Sr. Watson. Coloquei minha bolsa sobre uma mesa e me sentei em silêncio, evitando contato visual com os dois.

“Chegando atrasado de novo, Anthony,” ele bufou, com as mãos nos quadris.

Dei de ombros e desviei o olhar. Nancy estava sentada a quatro mesas de distância. Era óbvio que ela também não estava contente por estar ali.

“Bem, vocês estão totalmente enganados, se acham que vão ficar aqui apenas sentados em silêncio.”

Nancy e eu voltamos nossa atenção para o Sr. Watson.

“Peguei algumas ferramentas emprestadas e um tampo novo de mesa na sala de marcenaria. Vocês dois passarão a detenção consertando a mesa que quebraram.”

“O quê!? Mas eu não quebrei nada!” Nancy protestou.

“Pouco me importa se foi você ou não, Nancy. Agora venha aqui pegar o martelo,” ele rosnou.

Me levantei abruptamente, empurrando a cadeira, e marchei até a mesa do professor, murmurando e resmungando de insatisfação. Nancy pegou os pregos e o martelo, enquanto eu carregava o tampo da mesa. Ela se ajoelhou ao lado da mesa quebrada e a avaliou de perto. Ajoelhei-me em frente a ela e coloquei o tampo no chão.

O Sr. Watson caminhou em direção à porta da classe. “Estarei de volta daqui meia hora. É bom que a mesa já esteja arrumada até lá.”

“Tá, tá bom…” disse, dando um aceno de despedida para ele.

Nancy limpou a garganta. “Precisamos remover as pernas da mesa quebrada para depois fixá-las no tampo novo.”

Continuei em silêncio enquanto segurava as pernas da mesa para arrancá-las do tampo quebrado. Nancy me interrompeu, batendo no meu ombro com uma chave de fenda.

“Basta desparafusá-las como uma pessoa normal. Caso contrário, você irá entortar ou acabar quebrando as pernas como fez com a mesa.”

Ignorando a sugestão dela, puxei a perna, arrancando-a, mas ela saiu completamente torta e quebrada, exatamente como Nancy previu que aconteceria…

“Parabéns, Anthony! Agora temos uma mesa quebrada e uma perna torta, simplesmente ótimo,” ela bufou.

“Bem, se você acha que pode fazer um trabalho melhor, então, vá em frente e conserte você mesma.”

“Se você não tivesse quebrado a mesa, Anthony, eu não precisaria consertá-la em primeiro lugar.”

Nossas mãos estavam apoiadas nos quadris enquanto nos encarávamos furiosos, em silêncio.

“Inacreditável,” ela disse e se ajoelhou ao lado da outra perna, que ainda estava intacta, desparafusando-a com a chave de fenda, como eu deveria ter feito inicialmente.

Enquanto ela desparafusava o último prego, a perna de metal cedeu e caiu em sua direção. Eu a segurei antes que a peça atingisse sua cabeça. Ela olhou para cima em estado de choque, mas não tive certeza se a sua surpresa era devido à pancada na cabeça que estava prestes a levar ou ao fato de eu ter agarrado a perna antes que ela pudesse ser nocauteada. Levei a perna até o novo tampo da mesa e a encaixei no lugar. Nancy permanecia em silêncio, com a mente ainda processando o que havia acontecido.

“Eai, você vai martelar isso enquanto eu seguro ou não?”

Ela balançou a cabeça, afastando seus pensamentos, e se ajoelhou ao meu lado. Nossas pernas se tocaram, e eu queria sorrir, mas me contive. Suas mãos delicadas giraram a chave de fenda em círculos até que os quatro parafusos estivessem apertados. Inclinei-me sobre o colo dela para pegar a perna que estava torta; nossos rostos ficaram extremamente próximos, e pude sentir o cheiro adocicado de seu hálito, que me lembrava doces. Seus lábios tinham uma camada transparente de brilho labial, provavelmente com sabor de morango. Tentei endireitar a perna para que voltasse ao lugar certo, mas acabei piorando a situação. Nancy soltou uma risadinha e rapidamente colocou a mão na boca para esconder o sorriso. Senti como se borboletas estivessem voando em meu estômago ao perceber que a fiz rir daquela forma. Era uma sensação agradável, muito diferente do sentimento devastador que carregava há anos.

Quando ela terminou de parafusar a perna torta, nos afastamos para ver a mesa inclinada. Coloquei um livro em cima dela e assistimos enquanto ele deslizava e caía no chão, começando a rir descontroladamente.

“O que você acha que o Sr. Watson vai dizer?” Nancy perguntou, soltando uma risadinha.

“Ei, quem se importa? Isso foi engraçado, mas, por outro lado, não estou a fim de pegar outra detenção tão cedo,” eu disse, pegando o livro caído e colocando-o sob o pé da perna torta. Agora a mesa está nivelada.

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