Já era hora do almoço. Corri até o refeitório com a intenção de convidar Nancy para almoçar conosco, perdendo Claudia de vista no caminho. Ao entrar apressado no refeitório, todos os olhares se voltaram para mim devido à minha entrada barulhenta e ofegante. Meus olhos se fixaram nas mesas do canto, onde avistei Morris sentado à mesa de Nancy, compartilhando risadas. Saí abruptamente do refeitório, passando por Claudia, Joyce, Nate, Frank e Pedro.
“Para onde você está indo, ursinho?”
“Para qualquer lugar, menos aqui,” rosnei.
“Qual é o problema dele?” Frank perguntou.
Eles adentraram ao refeitório, e Joyce notou o motivo da frustração de Anthony. O rapaz novo, atraente e charmoso, estava saindo com Nancy e evidentemente flertando com ela. Ela franziu a testa ao ponderar sobre a situação, sentindo pena de seu irmão.
Não queria ficar na cafeteria, então, pela primeira vez em toda a minha vida, decidi ir à biblioteca. Sentei-me à mesa com os CDF's da escola. Todos eles engasgaram ao olhar para mim enquanto eu batia a cabeça na mesa.
“Idiota! Idiota! Idiota!, porque sou tão estúpido!” exclamei frustrado.
“Hum, v-você está quebrando a m-mesa…” escutei alguém dizer com uma voz aguda e claramente nervosa.
Me virei para encará-la enquanto ela ajustava os óculos enormes para mais perto dos olhos.
“Cale a boca, Paisley. Será que você não se tocou que estou no meio de uma crise?”
“Ah… m-me desculpe, se quiser, pode desabafar conosco, e talvez possamos ajudá-lo dando alguns conselhos?”
Lancei-lhe um olhar cético e franzi a testa.
“Receber conselhos de um bando de nerds? Você ficou louca?”
“Se eu fosse louca, teria que apresentar algum tipo de transtorno psicológico, como Munchausen, ou não estar em contato com a realidade, ou…”
“Tá, tá, eu já entendi. Como não sei o que fazer agora, a não ser bater a cabeça numa mesa, vou contar o que está acontecendo, mas nenhum de vocês deve dizer uma palavra sobre isso a ninguém, entenderam?”
“O-ok,”
“É o seguinte, eu tinha uma melhor amiga na infância. Na verdade, nunca poderia ter pedido à Deusa da Lua por uma amiga melhor. Há sete anos, eu a afastei da minha vida porque acreditava que, por causa dela, minha matilha nunca me levaria a sério e pensaria que eu não seria digno do título de Alfa quando chegasse a hora.”
Ontem, finalmente, percebi que agi como um completo idiota e que eu mesmo me colocava na posição de bobo da corte naquela época. Então, na noite passada, decidi que imploraria o perdão de Nancy e tentaria consertar nossa amizade hoje na escola. No entanto, um novo aluno apareceu esta manhã, como todos vocês já sabem, o Morris. Agora, ele está grudado em Nancy, flertando com ela durante todo o maldito dia. E esse é o meu problema.
“O-ok, entendi. Mas vocês não moram juntos? Você poderia pedir perdão a ela em casa, não?”
“Sim, mas hoje de manhã tive a sensação de que ela estava me evitando de propósito. Estava conversando com os pais dela muito mais do que o normal e nem mesmo olhou para mim.”
“Ok, vocês têm algum assunto em comum para conversar?”
“Sim, a aula de ciências. O Sr. Watson nos colocou como parceiros de laboratório.”
“Perfeito, então é aí que você pode se desculpar!” ela sorriu.
“Você está certa, obrigado! Tenho aula de ciências com ela amanhã,” disse, levantando-me para ir embora. “Qual era o seu nome mesmo?” parei, perguntando a ela.
“Paisley.”
“Obrigado, Paisley. Até mais!” acenei, me despedindo.
O sinal do almoço tocou e eu terminei minhas duas últimas aulas, contente por finalmente estar indo para casa.
“Ah, ursinho, estou tão animada para ir à sua casa hoje!” Claudia disse, cruzando meu braço no dela.
“Do que você está falando, Claudia?”
“Ursinho! Não me diga que você já esqueceu? Combinamos que eu te ajudaria a escolher algo para vestir na festa do fim de semana, lembra?”
Meu estômago revirou. Tinha esquecido completamente que ela seria minha acompanhante na festa e viria para minha casa hoje. Estava absorto em pensamentos, buscando uma saída, mas não consegui pensar em nenhuma desculpa decente.

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