“Que merd* foi aquela, Claudia?”
“O que há de errado, ursinho?” ela disse, tentando segurar meu rosto. Eu me inclino para trás, evitando seu toque.
“Você não pode simplesmente me beijar assim.”
“Por que não?”
“Porque não! Simples assim.”
“Ah, entendo, é muito cedo para você?”
“Sim, é muito cedo, Claudia; nem mesmo tivemos um encontro ainda!”
“Sinto muito, ursinho, vou ser paciente e me segurar então.”
“Eu agradeceria muito.”
“Agora, você vai experimentar esta camisa ou não?”
Peguei a camisa e a vesti.
“Ah, ficou muito boa! Agora, tenta essa.”
“Essa aqui já está ótima, Claudia. Pronto, escolhemos uma roupa. Vamos, já está na hora de te levar para casa.”
“Mas já?”
“Sim, esqueci que tenho uma… coisa para fazer.”
“Ah, tudo bem então…”
Ao sairmos da casa da matilha, nos deparamos com Sanchez.
“Eai, Anthony, para onde vocês estão indo?”
“Vou levar Claudia para casa. Ela mora perto da escola.”
“Estou de saída também e vou passar pela escola no caminho. Posso deixá-la em casa, se você quiser.”
“Ah, você poderia?” disse, um pouco animado demais, para o desânimo de Claudia.
“Claro!”
“Excelente!” Peguei a mão de Claudia para ajudá-la a entrar no carro e fechei a porta antes que ela tivesse a oportunidade de me dar um beijo de despedida na bochecha. Nunca pensei que ficaria tão feliz ao ver a traseira do carro de Sanchez se afastando. Agora, precisava encontrar Nancy. Corri para dentro de casa e subi até a metade da escada; Joyce me parou no meio do caminho, avançando furiosa em minha direção.
“Qual é o seu problema?! Em um momento, você quer resolver as coisas com Nancy, e no próximo, já está se agarrando com Claudia!”
“Olha, eu juro que não é o que parece!”
Joyce riu sarcasticamente. “Você só pode estar me zoando, né? Não é o que parece?!”
“Sim! Claudia estava escolhendo camisas e queria que eu experimentasse para usar naquela festa idiota dela. Assim que tirei a camisa, ela montou em mim e me beijou no exato momento em que vocês duas entraram. Juro que não sabia que ela ia fazer aquilo; ela me pegou completamente desprevenido!”
Joyce levou um momento para se acalmar.
“Você precisa resolver isso, Anthony. Precisa acertar as coisas com Nancy, especialmente depois do que acabamos de presenciar entre você e a Claudia. Bem, digamos apenas que será necessário mais do que simplesmente implorar de joelhos por perdão para consertar isso.”
“Eu sei, Joyce, estou indo ver Nancy agora,” disse, desviando dela para continuar subindo as escadas.
“Nancy?” chamei gentilmente, batendo à porta dela. “Nancy?”
A porta se abriu abruptamente. Nancy estava totalmente inexpressiva, segurando a porta aberta com uma mão, enquanto a outra estava apoiada no quadril.
“O que você quer, Anthony?” ela disse friamente, causando um arrepio na minha espinha ao pronunciar meu nome.
“Eu queria me desculpar com você!”
“Desculpar-se pelo quê, exatamente?”
“Pelo que você viu no quarto.”
“Por que você está se desculpando por algo que não é da minha conta?”

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