“Você quer que eu chame seus pais para virem buscá-lo?”
“Não, eu vou ficar.”
“Acredito que seria melhor se você fosse para casa e colocasse um pouco de gelo no rosto, Anthony.”
“Olha, eu vou ficar, ok? Se isso te deixar mais tranquila, posso ficar por aqui e descansar durante todo o próximo período, até a hora do intervalo.”
“Tudo bem então, vou pegar uma bolsa de gelo para você.”
Ela voltou um momento depois e me entregou a bolsa de gelo; pressionei-a contra meu olho roxo e inchado pelos próximos minutos. Quando o sinal do intervalo tocou, coloquei o saco de gelo na mesa da enfermeira Carla e caminhei até o refeitório. Os alunos me encaravam, sussurrando enquanto eu passava por eles.
“Ouvi dizer que ele nocauteou Morris e quase o matou.”
“Olha, eu ouvi dizer por aí que ele agarrou Morris com uma única mão e o lançou no meio da pista.”
Bem, pelo menos os rumores estavam a meu favor. Claudia suspirou aliviada e correu na minha direção assim que entrei no refeitório; ela segurou meu rosto entre suas mãos.
“Ursinho! Todo mundo está falando sobre uma briga que aconteceu aqui na escola. Eu não sabia que você estava envolvido. Ah, tadinho do meu amorzinho,” ela disse em um tom manhoso, abraçando-me. Percebi Nancy e Morris observando enquanto Claudia me sufocava com preocupação e atenção. Meu rosto se aproximou do dela, e eu a beijei sem sequer pensar na minha ação. Nancy virou a cara, mas o olhar penetrante de Morris se intensificou.
“Ah, ursinho…”, Claudia corou. Envolvi meu braço sobre seu ombro e a puxei o mais perto possível do meu peito. Joyce trouxe uma bandeja de almoço para mim.
“Ouvi dizer que você brigou com o Morris. Você sabe que mamãe e papai vão enlouquecer quando virem seu rosto, né?”
“Sim, eu sei, mas esse é o menor dos meus problemas,” disse, olhando para Nancy. Meu punho bateu na mesa, quando vi Nancy e Morris se beijando. Todos pularam com o susto.
“Ursinho, aconteceu alguma coisa?”
Joyce dirigiu-me um olhar solidário, já sabendo o que se passava na minha cabeça.
“Eles esqueceram de colocar o queijo no meu pão,” menti.
“Ah, pode pegar o meu então!” Ela ofereceu, trocando os pratos. Claudia estava tão apaixonada por mim que até havia pedido o mesmo almoço que eu. Maria se juntou a nós e, com raiva, jogou sua bandeja de comida na nossa frente. Ela mordeu seu pão com presunto como se estivesse arrancando a cabeça de uma criaturinha e encarou Claudia, mastigando alto.
“Nossa, todo mundo está tão baixo astral hoje,” Pedro disse, soltando uma risadinha sem graça.
Todos almoçamos em silêncio durante todo o intervalo. O sinal tocou, e me lembrei de que agora teria aula de ciências com Nancy. Morris a acompanhou até a sala de aula e lhe deu um longo beijo, como se estivesse quase comendo seu rosto. Ele sorriu para mim e saiu para ir para a próxima aula.
Nancy colocou seus livros na mesa instável que consertamos juntos. Sentei-me ao lado dela, mas ambos permanecemos em silêncio, nos recusando a conversar um com o outro.
“Ok, turma, hoje vocês terão quarenta e cinco minutos para preencher este questionário junto dos seus parceiros de laboratório. Se não souberem as respostas, sua dupla indicará em qual página do material vocês devem consultar.” Disse o Sr. Watson nos instruindo.
Ele distribuiu uma folha de questionário em cada mesa. Cinco minutos se passaram, e nenhum de nós se moveu.
“O questionário não será preenchido sozinho, Nancy e Anthony. Mãos à obra ou reprovarei vocês dois em ciências.”
Resmungamos baixinho e pegamos nossas canetas para começar a preencher. Erguemos as mãos para pegar a folha ao mesmo tempo e, acidentalmente, seguramos as mãos um do outro no processo. Eu não queria soltá-la, mas Nancy puxou a mão num piscar de olhos. Ambos seguramos a ponta do papel. Ela olhou para mim.
“Solte, eu vou preencher,”
“Me deixa pelo menos responder algumas perguntas,” disse.
A folha de papel rasgou-se ao meio, e o Sr. Watson se aproximou, batendo uma fita adesiva sobre a mesa.
“Novamente, vocês rasgaram, então agora vão consertá-la e depois preenchê-la,” ele rosnou.
Me mantive em silêncio enquanto segurava as duas tiras de papel no lugar para Nancy poder grudá-las com a fita adesiva.
“Eu preencho a primeira metade, e você completa o resto”, ela retrucou.
“Tudo bem,” concordei, cruzando os braços.

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