“Mas para nós, parece que vocês dois estavam tendo uma sessão de beijos bem intensa que literalmente virou o quarto da Nancy de cabeça para baixo. Até o colchão está no chão…” Joyce riu.
Eu me desvencilhei de Nancy para ajudá-la a se levantar do colchão.
“Então, qual dos dois vai explicar essa situação?” Perguntou Frank.
Nancy e eu nos apontamos mutuamente e todos começaram a rir.
“É que não podemos contar,” eu disse.
“Como assim nós não podemos saber?!” Nate rosnou.
“A Luna disse que não deveríamos contar para mais ninguém,” explicou Nancy.
“Além de vocês, quem mais sabe desse segredo que estão escondendo de nós?” Perguntou Nate.
“Todos os nossos pais e, é claro, nós dois,” respondi.
“Então, nossos pais sabem sobre tudo, mas nós não podemos ficar a par da situação?” Nate indagou.
“Exatamente,” respondi, sentindo-me culpado demais para conseguir encará-los.
“Se vocês não desembucharem agora, então vou contar para todo mundo que vocês estavam se agarrando,” Joyce sorriu maliciosamente.
Nancy e eu trocamos olhares.
“Está bem, entrem e fechem a porta,” murmurei.
Cada um deles pegou uma caixa para sentar. Nancy e eu nos sentamos no colchão.
Inclinei-me para pegar o livro e o entreguei primeiro a Nate.
“Estávamos procurando por relíquias que alguém pudesse ter escondido no quarto da Nancy.”
“Relíquias? E por que estou segurando um livro de Feitiços e Maldições?!” Nate questionou, confuso.
“Eu não consigo me transformar sem que isso me cause uma dor imensa. Trouxemos uma bruxa aqui para ver se ela podia nos dizer o que estava acontecendo.”
“Uma bruxa?!” Joyce exclamou, surpresa.
“Sim, parece que ainda existe um clã secreto. A bruxa veio e deixou claro que não poderei me transformar sem que isso cause uma dor agonizante, por conta de uma maldição que a Nancy carrega.”
“Nancy está amaldiçoada?” Frank perguntou.
“Sim, mas ainda não sabemos qual tipo de maldição ou quais sintomas ela pode causar. O ponto é que está me afetando e não poderemos quebrá-la sem saber quem a amaldiçoou ou qual é a maldição. Por isso, Paisley e eu invadimos secretamente a sala proibida da biblioteca da cidade para pesquisar sobre isso. Este livro foi o único que encontrei até agora, que pode ser útil.”
“Espere, espere, espere, espera aí, um minuto! Existe uma sala secreta na biblioteca? E quem é Paisley?” perguntou Joyce.
“Sim, a biblioteca guarda todos os livros proibidos e banidos lá. Foi praticamente uma operação militar para conseguirmos entrar sem ser pegos. Você conhece a Paisley, ela é uma amiga da escola. Todos vocês a conhecem.”
Todos trocaram olhares confusos. Nate passou o livro de feitiços para Frank.
“Li nesse livro que algumas maldições podem ser lançadas ao esconder relíquias no quarto do alvo. Nancy e eu estávamos revistando aqui quando vocês bateram na porta e nos assustaram. Ela escorregou, eu tentei segurá-la e, bem, vocês viram o resto.”
“Mas quem iria querer amaldiçoar a Nancy? Isso não faz nenhum sentido.” Joyce franziu a testa.
“Não sabemos. Estamos tentando fazer o possível no momento para quebrá-la. Apenas nós, nossos pais e Paisley, estão cientes disso. Mamãe acha que a vida de Nancy estará em perigo se a matilha descobrir sobre sua maldição e que eu, o futuro Alfa, estou sendo afetado por isso.”
Todos suspiraram e olharam preocupados para Nancy.
“Ficarei bem contanto que isso permaneça em segredo e, além disso, nada aconteceu comigo. Ainda não fui afetada de qualquer maneira.”
“Se alguém perceber algo que possa estar relacionado à maldição, avise-me imediatamente,” eu disse.
Todos acenaram com a cabeça, e então fomos todos para os nossos quartos dormir.
Pela primeira vez na vida, cheguei cedo para o café da manhã. Mamãe sentou-se no colo de papai como de costume.
“Os Alfas e suas matilhas começarão a chegar hoje, para comparecer à sua cerimônia de lobo amanhã à noite,” ela disse.
Até então, não havia parado para pensar sobre isso. No décimo oitavo aniversário, à meia-noite, ocorria a nossa primeira transformação, conectando-nos com nossos lobos. A transformação era involuntária e o lobo assumia completamente o controle.

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