Corri em direção ao carro, mas Morris não estava lá; ele havia simplesmente desaparecido. No entanto, consegui sentir seu cheiro rumo à floresta. Nancy estava inconsciente, com sangue escorrendo pelo lado esquerdo de sua cabeça. Havia estilhaços de vidro por toda parte.
Uivei o mais alto que pude, pedindo ajuda. Meus pais surgiram e assumiram suas formas humanas para correr em direção ao carro.
“Onde está Morris? Você não o matou, certo?”, perguntou minha mãe, preocupada. Balancei a cabeça, emitindo um grunhido, e me aproximei do meu pai, que segurava Nancy.
“Ela precisa ser atendida pelo médico da matilha imediatamente, do contrário, ela não sobreviverá.”
Ajoelhei-me, ciente de que a forma mais rápida de levá-la ao médico seria carregando-a. Meu pai a acomodou cuidadosamente em minhas costas, envolvendo os braços ao redor do meu pescoço. A cada salto, eu cortava o ar como um pássaro, aumentando minha velocidade para tornar a corrida suave e evitar que ela caísse. Mamãe e papai se transformaram novamente e me seguiram, mal conseguindo me acompanhar. Voltamos à cerimônia, e todos se afastaram, gritando, assustados ao ver Nancy.
“Nancy!”, gritou Ellie, e Nolan correu atrás dela até onde eu estava. Os pais de Nancy a levantaram cuidadosamente, em prantos, enquanto o médico da matilha a examinava.
“O que aconteceu com ela?”, Ellie perguntou, enquanto meus pais se aproximavam e voltavam à forma humana.
“Ela sofreu um acidente de carro. Morris estava dirigindo e fugiu do local,” explicou Ayla a ela.
“Vamos levá-la para dentro da casa da matilha. Lá poderei cuidar melhor dos ferimentos,” instruiu o médico.
Nolan carregou Nancy em direção à casa.
“Obrigado a todos por comparecerem à cerimônia, mas infelizmente teremos que encerrá-la por aqui. Por favor, aproveitem o resto da estadia nos próximos dias,” meu pai anunciou.
Todos se retiraram para seus quartos. Algumas das lobas ainda tentavam chamar minha atenção para me tocar. Soltei um pequeno rosnado, alto o suficiente, apenas para que elas escutassem. No mesmo instante, as vi recuando, mudando de ideia. Alcancei Nolan e o segui escada acima. Ele a deitou na cama.
O médico tratou imediatamente dos ferimentos dela, limpando-os e fazendo um curativo. Nancy soltou um gemido, ainda inconsciente. Rosnei para o médico, que rapidamente se afastou e se pressionou contra a parede.
“Desculpe, Anthony, não foi minha intenção machucá-la, mas preciso cuidar dos seus ferimentos. Ela precisará da minha ajuda para se recuperar adequadamente, já que ainda não recebeu sua loba.”
Ellie sentou-se ao lado dela, segurando sua mão, enquanto Nolan a observava com um olhar penetrante.
Mamãe e papai se juntaram a nós.
“Anthony, você não vai retornar à forma humana?”
Neguei com a cabeça e subi na cama, encolhendo-me ao lado de Nancy e repousando minha cabeça em seu colo. Ficaria ali para protegê-la até que ela acordasse. Mamãe, papai e os pais de Nancy trocaram olhares de tristeza, depois voltaram seus olhos para mim, acenando em compreensão.
“Avise-nos quando ela acordar, certo, Anthony?”, pediu Nolan. Ergui a cabeça para assentir e retomei minha posição, apoiado a cabeça no colo dela.
Deveria ter adormecido; o calor do sol atravessava a janela e aquecia minha pele. A mão de Nancy estava repousando em meu dorso. Ela não acordou, mas deve ter se movido enquanto dormia. Mudei minha posição e apoiei minha cabeça em seu travesseiro, olhando para ela e adormecendo novamente. Prontamente me sentei ao ser despertado por um grito.
Nancy e eu estávamos frente a frente. O suor cobria sua testa, enquanto eu parava por um momento, permitindo que ela reconhecesse quem eu era.
“Anthony?”
Lambi seu rosto.
“Eca, Anthony!” ela protestou.
Choraminguei e abaixei a cabeça, cobrindo meus olhos com as patas. “Desculpe, Anthony, não quis ser grossa. É que, minha cabeça está doendo muito,” disse ela, tocando o curativo em sua têmpora esquerda.
“Espere, ontem à noite. Você estava se transformando, eu tentei me aproximar, mas Morris me impediu. Ele me arrastou para o carro dele e acelerou, então você apareceu pulando no teto e é só disso que eu me lembro. O carro bateu?” ela perguntou, observando os curativos em seus braços e pernas. Choraminguei em resposta e, desta vez, me inclinei para apoiar a cabeça em seu colo.
Ela acariciou minha cabeça, entrelaçando os dedos em meu pelo. Eu estava no paraíso.
“Obrigada por me resgatar, Anthony.”
Nolan e Ellie entraram no quarto, ofegantes.
“Nancy, você acordou! Ouvimos você gritar,” exclamou Ellie.
“Desculpem pelo susto, é que eu não esperava acordar com um lobo enorme na minha cama,” ela disse rindo. Soltei um grunhido de lamento em minha defesa e ela me abraçou pelo pescoço, puxando-me para mais perto. “Tudo bem, Anthony, eu te perdoo.”
“Como você está se sentindo? Você quer que a gente chame o médico?” perguntou Nolan, preocupado.
“Estou bem dolorida, mas acho que vou ficar bem. Onde está o Morris?”
Rosnei com a pergunta dela.
“Não temos ideia. Ninguém o viu desde que ele fugiu do acidente de carro,” explicou Nolan.
“E se ele estiver ferido?”
Rosnei novamente. Por que ela estava tão preocupada com o fato de ele estar machucado ou não? “Sei que você não gosta dele e que ele não deveria ter me levado daquela forma, Anthony. Mas acredito que ele fez aquilo porque estava preocupado comigo.”
Não queria ouvir mais nada; então, saltei da cama e caminhei até o meu quarto para retornar à minha forma humana. Após dez minutos sentindo uma dor angustiante, consegui fazer a transformação e acabei desmaiando devido à dor e exaustão no processo.
Fui acordado com Nate e Frank me sacudindo e dando tapinhas no meu rosto.
“Está bem! Estou acordado!” exclamei, levantando-me.
“Isso sempre vai acontecer quando você mudar de forma?”, perguntou Nate.
“Sim, pelo menos até que a maldição da Nancy seja quebrada.”

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